No 'celeiro' do Brasil, sobra gado, mas falta comida no prato de quem vive em Mato Grosso

Desde que seu marido morreu em um acidente de carro, em 22 de novembro de 2020, o processo de luto se confunde com o desconforto de uma alimentação empobrecida na segunda onda de Covid-19.

Sem conseguir emprego, a auxiliar de cozinha que mora no bairro Centro América, na periferia de Cuiabá, apresenta o mesmo cardápio diariamente para os filhos de 13 e 4 anos. Com rara sorte, como quando surge um bico, inclui um ovo frito no prato.

Ela exibe a geladeira que tem não mais do que uma panela de pressão, duas batatas-doces e algumas tigelas embrulhadas em sacolas plásticas e tenta encontrar uma resposta para a miséria.

A fome, que crescia no Brasil na última década, acabou se agravando na pandemia. Em 2020, 19 milhões de pessoas viviam em situação de fome no país, segundo o Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da covid-19 no Brasil.

Em 2018, eram 10,3 milhões. Ou seja, em dois anos houve um aumento de 27,6% (ou quase 9 milhões de pessoas a mais).

A Unicef (braço da ONU voltado para crianças e adolescentes) afirmou que, no mundo, "6,7 milhões de crianças menores de cinco anos podem sofrer definhamento (baixo peso para a altura) — e, portanto, tornar-se perigosamente subnutridas — em 2020 como resultado do impacto socioeconômico da pandemia de covid-19".

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