No Dia do Cinema Nacional, como ver clássicos em streaming

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Os problemas na Ancine e na Cinemateca Brasileira são motivos de preocupação neste momento em que se comemora o Dia do Cinema Nacional. Mas, se o presente exige cuidados e o futuro parece incerto, a memória desperta orgulho. Para conhecer alguns dos momentos mais importantes da produção brasileira, garimpamos cinco serviços de streaming que estendem a ela o tapete vermelho.

Globoplay

Quem estiver disposto a fazer uma imersão na história do cinema brasileiro pode percorrer a seleção “7 décadas em 50 filmes”. Na largada, dois clássicos de Nelson Pereira dos Santos, impactados pelo neo-realismo italiano: “Rio, 40 graus” e “Rio, Zona Norte”. A jornada prossegue com uma seleta de Cinema Novo — Nelson outra vez (“Vidas secas”), Glauber (“Deus e o diabo”, “Terra em transe”), Joaquim Pedro (“O padre e a moça”, “Macunaíma”) — e os dois grandes filmes de Luiz Sérgio Person, “São Paulo Sociedade Anônima” e “O caso dos irmãos Naves”.

Sucessos de público? Vários deles, como “Dona Flor e seus dois maridos”, de Bruno Barreto, “Lucio Flávio, o passageiro da agonia”, de Hector Babenco, “Bye bye Brasil”, de Carlos Diegues, e os dois “Tropa de elite”, de José Padilha. A seleção inclui também documentários de Eduardo Coutinho (“Cabra marcado para morrer”, “Santo forte”, “Edifício Master”, “Jogo de cena”) e chega ao presente com dois dos filmes brasileiros de maior repercussão na última década: “Que horas ela volta?”, de Anna Muylaert, e “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho.

Itaú Cultural Play

A diversidade temática e geográfica pauta o catálogo de lançamento da nova plataforma exclusiva para o audiovisual brasileiro, com 135 títulos dos 26 estados e do Distrito Federal. São filmes de ficção, documentários, animações e experimentais. Entre os clássicos, o carro-chefe é a “Mostra Glauber Rocha”, com a espinha dorsal de sua obra: o curta “Pátio” e os longas “Barravento”, “Deus e o diabo na terra do sol”, “Terra em transe”, “O dragão da maldade contra o santo guerreiro” e “Câncer”.

Outro personagem-chave do Cinema Novo, o produtor Luiz Carlos Barreto ganha também sua própria mostra na inauguração da plataforma. Filmes ligados ao futebol — como os documentários “Garrincha, a alegria do povo”, de Joaquim Pedro de Andrade, e “Isto é Pelé”, de Barreto e Eduardo Escorel — representam a sua extensa filmografia.

O ponto mais forte são os documentários contemporâneos. Carlos Nader (“Pan-cinema permanente”, sobre o poeta Waly Salomão), Joel Pizzini (“500 almas”, sobre os índios Guatós), Joel Zito Araújo (“Cinderelas, lobos e o príncipe encantado”, sobre mulheres capturadas pelo mercado de exploração sexual) e Júnia Torres (“Aqui favela, o rap representa”, sobre a cena musical em São Paulo e Belo Horizonte) são alguns dos diretores presentes.

Spcine Play

Destaque para os canais em homenagem a mulheres, como as diretoras Ana Carolina (“Mar de rosas”, “Das tripas coração”, “Sonho de valsa”), Lucia Murat (“Que bom te ver viva”, “Brava gente brasileira”), Suzana Amaral (“A hora da estrela”), Tata Amaral (“Um céu de estrelas”) e a atriz e diretora Helena Ignez (“Luz nas trevas”). As seções “Elas à frente” e “#52 filmes por mulheres” também jogam luz sobre a presença feminina no cinema nacional, ontem e hoje.

É possível navegar pelo catálogo por meio de outras seções temáticas, como “Audiovisual negro” e “LGBTQIA+”, e de recortes organizados por festivais, como o “Especial Curta Kinoforum”, do Festival Internacional de Curtas de São Paulo, e o “Especial Ciranda de Filmes”. Há seleções reservadas também a Rogério Sganzerla (“O bandido da luz vermelha”), Hector Babenco (“O beijo da Mulher Aranha”), Andrea Tonacci (“Serras da desordem”) e José Mojica Marins, o Zé do Caixão (“À meia-noite levarei sua alma”, “Esta noite encarnarei no teu cadáver”).

Canal Brasil

Acervo também diversificado de documentários e longas de ficção. Clássicos do Cinema Novo — como “Os fuzis”, de Ruy Guerra, e filmes de Glauber —ao lado de produções mais recentes, como “O palhaço”, de Selton Mello, e “Ex-pajé”, de Luiz Bolognesi. O humor caipira de Mazzaropi, que no auge da carreira levava milhões de espectadores aos cinemas (e duas vezes por ano!), pode ser conhecido em uma dúzia de filmes, como “Casinha pequenina” e “Jeca Tatu”.

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Um trabalho de garimpagem na plataforma revela preciosidades, mas em cópias às vezes precárias. É o caso de “O ébrio”, de Gilda Abreu, com Vicente Celestino, um dos maiores sucessos de público do cinema brasileiro, representando a bem-sucedida história da Cinédia. “Carnaval Atlântida”, por sua vez, apresenta a tradição das chanchadas musicais da Atlântida. “Floradas na serra”, “Tico-tico no fubá”, “O cangaceiro”, “Uma pulga na balança” e “Absolutamente certo” fornecem uma amostragem do “cinema de qualidade” ambicionado pela produtora paulista Vera Cruz.

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