No dia da prisão, mulher de Milton Ribeiro disse que ex-ministro 'estava sabendo' da operação; ouça o áudio

Em um telefonema realizado no dia da prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, na quarta-feira passada, e interceptado pela Polícia Federal, sua mulher, Myrian Ribeiro, afirmou a um interlocutor que o ex-ministro "tava sabendo" com antecedência da realização de uma operação contra ele, mas não queria acreditar.

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-- No fundo ele não queria acreditar, mas ele tava sabendo. Pra ter rumores do alto, a coisa... é porque o negócio já tava certo -- disse.

Para investigadores, esse diálogo reforça as suspeitas de vazamento da investigação. Isso porque, em um outro diálogo mantido no dia 9 de junho, o próprio Milton Ribeiro contou que conversou com o presidente Jair Bolsonaro e que ele teria dito que achava que o aliado seria alvo de buscas.

O telefonema de Myrian ocorreu às 9h19 da última quarta-feira, com uma pessoa da sua família. No diálogo, o familiar lhe tranquiliza sobre a operação deflagrada contra seu marido. Ela, porém, relata ter ficado abalada e diz que o advogado iria tentar um habeas corpus.

A PF diz, em relatório, que a conversa indica que "Milton Ribeiro teria conhecimento de uma possível operação policial – fato este já demonstrado no Auto Circunstaciado Parcial 01, quando MILTON demonstra em diversas ligações sua preocupação em sofrer um mandado de busca apreensão, bem como cita uma conversa que teria tido com o Presidente da República com este mesmo teor".

Na última quarta-feira, dia 22, Ribeiro foi alvo da Operação Acesso Pago deflagrada pela Polícia Federal. Ele chegou a ser preso preventivamente, mas foi solto após uma decisão do desembargador Ney Bello, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.

Como Ribeiro havia deixado o comando do MEC, o caso tramitava na primeira instância da Justiça Federal do DF. O Ministério Público Federal, no entanto, apontou que houve indícios de vazamento da ação e possível "interferência ilícita" por parte de Bolsonaro - o que motivou um pedido para que o processo voltasse ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Ribeiro é investigado na Operação Acesso Pago pela suposta prática dos crimes de corrupção passiva, prevaricação, advocacia administrativa e tráfico de influência. A defesa do ex-ministro nega qualquer irregularidade e diz que a prisão não tinha justificativa, porque ele não exercia mais influência no governo federal e tem bons antecedentes criminais.

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