No Dia dos Enfermeiros, protesto na Alerj relembra os 108 profissionais mortos por Covid-19 no Brasil

Gabriela Oliva*

Por ocasião do Dia Internacional da Enfermagem, profissionais da categoria fizeram um ato nesta terça-feira (12) em frente à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), em homenagem aos colegas que morreram em decorrência da Covid-19. Os enfermeiros também reivindicaram melhores condições de trabalho para a categoria. 

A manifestação, que também aconteceu em Brasília, foi organizada pela Federação Nacional dos Enfermeiros (FNE), que congrega os sindicatos dos estados. Segundo dados do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), 108 profissionais da categoria já perderam a vida durante a pandemia e 273 estão internados.

Nas escadarias da Alerj, os profissionais vestiam jalecos brancos, seguravam cruzes pretas simbolizando as perdas na categoria e, no rosto, usavam máscaras com a frase: "Chega de mortes na enfermagem". Os enfermeiros também seguraram placas com reivindicações sobre aposentadoria, piso salarial e carga horária. Ao final do ato, balões brancos foram soltos simbolizando paz.

Uma das profissionais que estavam no protesto, e que trabalha  na linha de frente contra a pandemia, na UPA da Penha, a enfermeira Líbia Bellusci, de 36 anos, disse que nunca passou por tantos problemas ao mesmo tempo:  

— A falta equipamentos de proteção individual (EPIs), de condições de trabalho dignas e a dura realidade de estar longe de nossas famílias por medo de contaminá-los, nos faz sentir mais vulneráveis.  Estamos indo para linha de frente, enfrentando os próprios medos e salvando vidas, mas quem está cuidando da gente? — indagou.

No Dsitrito Federal, na Esplanada dos Ministérios, em frente ao Museu Nacional de Brasília, um ato também foi realizado para homenagear os profissionais da categoria.  Cerca de 60 pessoas estavam no protesto, que começou às 17h. Cada uma delas segurava uma placa com o nome de um enfermeiro que morreu por causa da Covid-19. Nomes de profissionais foram projetados na parede do museu. A cada nome que aparecia, um manifestante se deitava no chão. O ato se encerrou  às 19h15, com uma salva de palmas.  

A enfermeira Karine Afonseca, de 32 anos, que atua em um hospital de reabilitação em Brasília, falou da  importância da valorização da categoria: 

— Estarmos também protagonizando a luta contra pandemia mostra a nossa capacidade de gestão, cuidado e atendimento na saúde pública. Quantos profissionais de saúde mais vão ter que morrer para o presidente acordar e escutar que a Covid-19 não é qualquer doença? — questionou.

Gilney Guerra, conselheiro do Cofen, destacou que os números de óbitos na categoria são alarmantes e expõem o agravamento da pandemia no Brasil:

— Há descaso com a saúde dos trabalhadores que estão na linha de frente, muitas vezes expostos sem equipamentos de proteção adequados. A falta de profissionais não pode ser desculpa para ignorar recomendações do próprio Ministério da Saúde e manter idosos e integrantes de grupo de risco em contato direto com casos de Covid-19.

*Estagiária sob supervisão de Cristina Fibe