No dia em que Mussum faria 80 anos, relembre em fotos, histórias e memes a carreira do artista

Extra
·4 minuto de leitura

Se estivesse vivo, Mussum completaria 80 anos nesta quarta-feira, dia 7 de abril. Nascido Antônio Carlos Bernardes Gomes, o carioca começou a carreira como músico e foi integrante dos Trapalhões na televisão e no cinema até sua morte, em 1994, aos 52 anos. Ao lado de Didi (Renato Aragão), Dedé (Manfried Sant’Anna) e Zacarias (Mauro Faccio), o humorista divertiu uma geração de brasileiros e fez o seu jeito de falar virar uma marca registrada. Relembre em fotos, histórias e memes a carreira do artista.

Especial de 20 anos de sua morte

Na época em que a novela "Império" foi ao ar pela primeira vez, o EXTRA fez um caderno especial em homenagem aos 20 anos da morte de Mussum. Confira.

Infância pobre

O artista cresceu no Morro da Cachoeirinha, em Lins de Vasconcelos, subúrbio do Rio de Janeiro. Filho de família humilde, a mãe de Mussum, Malvina Bernardes Gomes, era empregada doméstica e analfabeta, aprendendo a ler a escrever com a ajuda do filho. Ele serviu por vários anos na Aeronáutica e, paralelamente, começou uma carreira musical.

Originais do Samba

Mussum começou sua carreira musical no início dos anos 1960, junto com amigos, no grupo Os Sete Morenos – que, anos mais tarde, mudaria o nome para Originais do Samba. Os músicos gravaram mais de dez LPs e ganharam três discos de ouro. Ele aprendeu na observação a tocar pandeiro, tantã, surdo, agogô e tamborim, mas fez sucesso com o reco-reco.

Apelido

O artista apareceu a primeira vez na Globo em 1966, no programa humorístico "Bairro Feliz" com os colegas do Originais do Samba. Consta que, nesta época, o comediante Grande Otelo apelidou Antônio Carlos de Muçum, que viraria seu nome artístico com a mudança na grafia: Mussum.

Jeito de falar

Em 1967, Mussum foi convidado por Chico Anysio para trabalhar na TV Tupi, onde participou do programa "Escolinha do Professor Raimundo". Nesta época, criou o jeito de falar que se tornaria sua marca registrada, ao pronunciar as palavras com a última sílaba terminando em “is” – como em “portuguesis” ou “aritimetiquis”.

Início dos Trapalhões

Na Tv Record, Mussum contracenou com os humoristas Renato Aragão, o Didi, e Manfried Santana, o Dedé, no programa "Os Insociáveis". Em 1974, o trio foi para a TV Tupi para estrelar um programa com três horas de duração, desta vez com o nome com o qual passariam a se apresentar: Os Trapalhões. Lá, o trio passou a contar com o comediante mineiro Mauro Gonçalves, o Zacarias, formando o quarteto que consagraria o grupo.

Mudança para a Globo

Para trocar de emissora, Didi, Dedé Santana, Mussum e Zacarias fizeram uma lista de exigências, pois Renato Aragão temia perder a liberdade para criar. A emissora aceitou as reivindicações sem pestanejar, tornando o programa líder de audiência. "Os trapalhões" ficou no ar até 1994, ano da morte de Mussum, após complicações de um transplante de coração, aos 52 anos.

Fim da carreira musical

Durante os primeiros anos dos Trapalhões, Mussum conciliou suas atividades na televisão com sua carreira nos Originais do Samba. Em 1981, no entanto, ele decidiu deixar o grupo para se dedicar integralmente ao humor. Segundo ele contou em entrevistas, o público começou a ir aos shows mais para ouvir suas piadas do que para ouvir música.

Memes

Mesmo após sua morte, Mussum virou tema de memes e entrou para o imaginário da cultura pop. Montagens, camisas, canecas, canetas e o que mais houver pode ganhar a imagem do humorista. Em 2008, na época da eleição de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos, sua pronúncia serviu de mote para a criação de uma imagem em que Mussum aparecia travestido de presidente americano – inspirada no cartaz do político criado pelo artista gráfico Shepard Fairey. Abaixo da paródia, lia-se: “Obamis”. A estampa, criada por um designer carioca, virou febre e começou a aparecer em várias camisetas.

Cervejaria

A cervejaria Ampolis, fundada pelo filho de Mussum, Sandro Gomes, em homenagem ao seu pai, tem uma linha de cervejas com o jeito de falar registrado de Mussum: "Cacildis", "Forevis" e "Ditriguis".

Humor polêmico

Se por um lado a popularidade de Mussum continua, por outro o humor de Os Trapalhões provavelmente seria visto com outros olhos nos dias de hoje. As piadas politicamente incorretas, comuns na época, sobre homossexuais, mulheres, negros, nordestinos e pobres, tornaram-se alvo de críticas. Esta semana, Manoel Soares, do "É de casa", comentou sobre o assunto no "Encontro com Fátima Bernardes":

"Toda a vez que assistia aos Trapalhões e o Mussum se dava mal, eu chorava. Isso sempre remontava a dores do meu cotidiano. E eu torcia pela vitória dele, já que se refletiria em mim, no meu sentimento. Existem feridas abertas e é preciso ter empatia", relembrou Manoel.

Nova versão de Trapalhões

A Globo fez uma nova versão de “Os Trapalhões” em 2017, em que Mumuzinho interpretou o jovem Mussa, um sobrinho de Mussum. O cantor reviveu o inesquecível comediante, imitando seu chapéu de pescador, os olhos esbugalhados e o “jeitis’’ característico de Mussum falar.

Documentário

Em 2019, o filme “Mussum, um filme do Cacildis”, de Susanna Lira, relembrou a trajetória do humorista. O documentário teve participação de nomes como Renato Aragão e Dedé Santana, narração de Lázaro Ramos e trilha sonora original de Pretinho da Serrinha.