No Dia do Orgulho LGBTQIAP+, Gil do Vigor fala sobre representatividade: 'Temos que continuar abrindo a boca'

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O Brasil anda inegavelmente “lascado”, mas Gilberto Nogueira está empenhado em mudar isso. O economista, de 29 anos, que popularizou o termo no “Big Brother Brasil 21” para se referir à situação do país, tem aproveitado a fama que o reality show lhe deu para, além de engordar a conta bancária com uma dezena de contratos publicitários, espalhar a palavra da educação e das lutas da população LGBTQIAP+.

Há dez dias, ele estreou no IGTV de sua conta no Instagram um quadro quinzenal para discutir questões socioeconômicas e políticas. O primeiro tema escolhido pelo pernambucano foi “negacionismo na pandemia: “Depois de tantas conquistas e esse alcance gigantesco que ganhei nas redes, não poderia deixar de usar esse espaço pra trazer discussões de maneira leve e didática”, anunciou.

Durante uma parada no apartamento da mãe em Recife (até setembro, ele mora em São Paulo, num flat alugado pela TV Globo), depois de um dia de correria entre consulado americano e shopping (“Porque não sou obrigado a nada, né?”, brinca), Gilberto conversou com O GLOBO sobre como um homem gay se tornou um ídolo tão grande num dos países que mais mata a população LGBTQIAP+.

— Não consigo me ver tão grande assim, mas sou grato pelo que estou vivendo, por poder, de alguma forma, trazer um pouco da representatividade. Estou sendo, graças a Deus, muito amado. Sobre a violência, acredito que o brasileiro cria essa necessidade de ter um herói, que vai salvar todo o mundo. Quando idealizo um líder, e ele começa a ter comportamentos preconceituosos e violentos, muitas pessoas vão dizer: “Se essa pessoa faz isso, vou fazer também” — diz ele. — Somos um país acolhedor, mas que precisa entender que a mudança e a salvação virá indivíduo por indivíduo. Essa complexidade do que aconteceu comigo se dá pelo fato de o brasileiro ser bom. Precisamos só fazer as pessoas entenderem um pouco mais.

O ex-BBB ressaltou também a importância de falar sobre gênero em espaços de entretenimento:

— Há muita gente que não entende o que é identidade de gênero. Eu demorei para entender também. Por isso, acho tão importante, em programas de entretenimento, tratar desse assunto. Há uma massa da população mais leiga, acredito eu, que precisa receber as informações da melhor forma possível. Quando se discute no “Encontro com Fátima Bernardes”, no “Mais Você”, no “BBB”, no “Jornal Nacional”, você faz com que a informação chegue. É importante, nesses locais, falarmos sobre gênero, fazer com que as pessoas entendam que existem pessoas bissexuais, pessoas que não são nada, são tudo, são metade, são gays, são lésbicas, são o que querem ser.

Na entrevista completa, o pernambuco abre o jogo sobre política, o que pretende com os estudos nos Estados Unidos e como foi o processo de escrever sua biografia, "Tem que vigorar" (Ed. Globo Livros).

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