No Dia de Reis, Papa Francisco diz que 'é preciso se libertar da ditadura do eu'

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Foto: Papa Francisco faz prece pela paz no primeiro dia do ano / Fonte: Vaticano

Após se ausentar das celebrações de Ano Novo por dor no nervo ciático, o Papa Francisco presidiu a missa do Dia de Reis nesta quarta-feira (6). Numa mensagem de esperança aos fiéis, o pontífice disse que “é preciso se libertar da ditadura do eu”, após citar a frase “Levanta os olhos e vê”, do profeta Isaías.

— À comunidade de Jerusalém (...), o profeta (Isaías) dirige-lhe este forte convite: “Levanta os olhos e vê”. Convida-a a deixar de lado cansaço e lamentos, sair das estreitezas de uma visão limitada, libertar-se da ditadura do próprio eu, sempre propenso a fechar-se em si mesmo e nas preocupações particulares. Para adorar o Senhor, é preciso antes de mais nada “levantar os olhos”, ou seja, não se deixar enredar pelos fantasmas interiores que apagam a esperança, nem fazer dos problemas e dificuldades o centro da própria existência — disse.

A data marca a ocasião, narrada da Bíblia, em que o recém-nascido Jesus Cristo recebe a visita dos três reis magos do Oriente, Belchior, Gaspar e Baltazar. Por isso, a celebração conduzida pelo Papa também é chamada Festa da Epifania (revelação) ou Teofania (revelação de Deus). Em países como a Itália, na qual se situa o Vaticano, o Dia de Reis é, como o Natal, uma data reservada à ceia em família e à troca de presentes.

Na homilia, Francisco também afirmou que “não é espontânea em nós a atitude de adorar a Deus”:

— É verdade que o ser humano precisa de adorar, mas corre o risco de errar o alvo. Com efeito, se não adorar a Deus, adorará ídolos e, em vez de ser crente, tornar-se-á idólatra. Não existe meio termo: ou Deus ou os ídolos. Ou, para usar uma palavra de um escritor francês: “Quem não adora a Deus, adora o diabo”.

E, referindo-se a seus seguidores, emendou numa mensagem inspirada nos tempos que vivemos.

— Neste nosso tempo, há particular necessidade de dedicarmos, tanto individualmente como em comunidade, mais tempo à adoração, aprendendo cada vez melhor a contemplar o Senhor. Perdeu-se um pouco o sentido da oração de adoração, devemos retomá-lo, quer comunitariamente como na própria vida espiritual — disse.