No domingo de carnaval na pandemia, Centro e Zona Norte do Rio têm bares interditados e bloco improvisado

Giovanni Mourão
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RIO - Assim como ocorreu na Zona Sul e na Barra da Tijuca na sexta-feira e no sábado de carnaval, a noite de domingo (14) foi de aglomerações e de desrespeito às regras sanitárias na Zona Norte e no Centro do Rio. Como se não existisse pandemia, bares e rodas de samba em ambientes fechados ficaram lotados em Madureira. Na Lapa, estabelecimentos foram multados e interditados por aglomeração e consumação de bebidas alcoólicas em pé, sendo necessário o uso da força policial para dispersar o público que se aglomerava pela rua, num bloco improvisado, em dado momento.

Em Madureira, por volta de 22h, quem passava pelas imediações do Shopping Popular conseguia escutar o som alto de dentro do estabelecimento, que recebeu centenas de pessoas em evento gratuito. Despreocupadas e sem máscara, elas entravam e saíam do espaço fechado com seus copos de cerveja sem serem incomodadas, uma vez que não havia viaturas da Guarda Municipal e da Polícia Militar nos arredores.

Do lado de fora, a festa continuava, com a aglomeração se espalhando pelas ruas Soares Caldeira e Antônio de Abreu. No ritmo do carnaval, as pessoas dançavam e se abraçavam ao som de sambas-enredo da Portela e da Império Serrano, que vinham das rodas de samba e das caixas de som dos foliões, sempre no último volume. A cena se repetiu, em menor grau, na Rua Clara Nunes, ao lado da quadra da Portela.

Enquanto o público adulto lotava as ruas de Madureira, os mais jovens ocupavam pontos da Lapa. Tradicional ponto de aglomeração, a Avenida Mem de Sá, no perímetro entre os Arcos da Lapa e a Rua dos Inválidos, estava completamente lotada às 23h. Próximo aos arcos, várias viaturas da Secretaria de Ordem Pública (Seop) estavam estacionadas, enquanto os Guardas Municipais, em ação conjunta com a Vigilância Sanitária, patrulhavam a região à procura de irregularidades.

Entre 23h e meia-noite, a ação da prefeitura multou e interditou duas rodas de samba na Lapa: o Beco do Rato, na Rua Joaquim Silva, e o Leviano's, na Avenida Mem de Sá. Os estabelecimentos receberam duas multas cada, por aglomeração e por consumação em pé: as práticas são proibidas pelo decreto municipal de combate ao novo coronavírus. Ambos também foram imediatamente interditados.

Durante a interdição do Leviano's, um rapaz se aproximou dos guardas municipais e se manifestou contrário ao fechamento do espaço: "Para que fazer isso? Assim, vai ter que fechar a Lapa inteira". E o comentário foi respondido por um dos agentes: "Se for necessário, nós vamos fechar". Enquanto O GLOBO acompanhava as ações, foliões que transitavam no local tentavam intimidar a equipe de reportagem com empurrões e ameaças.

Logo após as interdições, em protesto contra a ação de fiscalização, um público com mais de 100 jovens se juntou na Avenida Mem de Sá, quase na esquina com a Avenida Gomes Freire, e fez um bloco improvisado, cantando marchinhas de carnaval e músicas tradicionais da época. A festa, que ainda contava com o batuque de instrumentos de percussão, começou a 0h15, ocupando duas das três pistas da via e, consequentemente, atrapalhando o trânsito.

Com o apoio da Polícia Militar, os guardas e os agentes da Vigilância Sanitária conseguiram dispersar o grupo em apenas 20 minutos. Um tantan e um pandeiro foram apreendidos pela Guarda Municipal. Ao ver que a cena estava sendo registrada, um folião tentou agredir o fotógrafo da equipe do GLOBO, que escapou ileso com a ajuda de um policial militar. Após a repressão, por volta de 1h da manhã, vários bares da região fecharam as portas com medo de também serem autuados, esvaziando a Lapa.