No ‘esquenta’ para os 80 anos, Gilberto Gil ganha exposição virtual e reality show com a família: 'Nasci para ser pai'

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Em 1996, Gilberto Gil dizia, na canção “Pela internet”, que queria criar um website, fazer uma homepage e entrar na rede para promover um debate. Estava com 54 anos e, agora, às vésperas dos 80, tem muito mais do que planejou na época da conexão discada. Em parceria com gigantes da tecnologia neste ano comemorativo, inaugurou uma espécie de museu virtual em três línguas feito pelo Google e estrelou um reality show de sua família na plataforma de streaming da Amazon, disponível para o mundo inteiro a partir do próximo dia 24.

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Apresentado na última terça (14), “O ritmo de Gil”, primeira retrospectiva sobre um artista vivo feita Google Arts & Culture, foi lançado com uma surpresa. Um álbum totalmente em inglês, preparado em 1982 e dado como perdido, agora está disponível on-line.

— O resgate foi feito através de uma fita cassete encontrada em algum lugar, em uma mixagem não definitiva, que não era única, mas foi a que sobrou. E não havia como mexer, estava tudo em dois canais da fita. Como foram 40 anos de um resultado feito com gosto, com dedicação, foi o produto que restou. Foi isso que a coleção decidiu acolher— disse Gil, que completa oito décadas de vida no próximo dia 26.

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Em “O ritmo de Gil”, há também 40 mil imagens, 140 vídeos e centenas de canções digitalizadas, além de textos que ressaltam a presença do artista baiano nos diferentes âmbitos da cultura brasileira.

Ícone na intimidade

Na sexta-feira anterior ao aniversário (dia 24), será a vez de o Amazon Prime Video colocar no ar os cinco episódios de “Em casa com os Gil”. O programa acompanha o dia a dia da família no ano passado durante o confinamento na casa do patriarca em Araras, na região serrana do Rio. Na ocasião, Gil, sua mulher, Flora, os oito filhos do artista, netos e bisneta estão reunidos preparando a turnê europeia “Nós, a gente”, que começa justamente no dia em que ele comemora 80 anos. Uma segunda temporada, que vai acompanhar essas apresentações, já está confirmada.

A ideia de toda a família pegar a estrada junta veio de Preta Gil, em 2017. O diretor Andrucha Waddington entrou na história para documentar as andanças, mas a pandemia interrompeu os planos. Ou melhor, mudou a rota: eles decidiram, então, filmar a preparação para os shows e o convívio do clã na intimidade. E que intimidade: tem Gilberto Gil andando para lá e para cá de meia e chinelo, cochilando no sofá, discutindo com os filhos por causa de futebol e até dando opinião num papo animado sobre... entupimento de banheiro.

— O desafio (desse projeto) é ser real. É isso que a gente quer passar: a ideia de uma família verdadeira — diz Gil.

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‘Nasci para ser pai’

Com oito filhos (Nara e Marília, do casamento com Belina Aguiar; Pedro, morto num acidente em 1990, Preta e Maria, da união com Sandra Gadelha; e Bem, Bela e José, filhos com Flora), Gil conta que desde quase bebê pensava em ser pai.

— É muito conhecida a frase que disse para minha mãe, aos 2 anos e meio, quando ela me perguntou o que eu queria ser na vida. Eu teria respondido, ela lembrava sempre, que queria ser “musgueiro” (trabalhar com música) e pai de menino — relembra. — Nasci para ser pai. Cresci pronto para ser pai.

Cada um a seu modo, a prole também nasceu para ser filho de Gilberto Gil.

—De certa forma, tem sempre algum filho dando apoio a ele em todos os momentos da vida. A Nara foi a primeira, que começou a cantar com ele aos 13 anos de idade. A Maria foi uma grande parceira na época do Ministério da Cultura. Hoje, o Bem é maestro dele. E há todos nós que nos colocamos sempre à disposição— diz Preta, que no programa faz brincadeira com o reality show da família Kardashian, “Keeping up the Kardashians”, mas fala sério quando explica a importância do “Em casa com os Gil”. — É uma maneira de contar a vivência e a obra dele, através do olhar de filhos, netos, genros, noras e bisneta. Tem jeito melhor do que se contar uma história do que com os próprios personagens vivos?

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