No Instagram, Onyx bloqueia grupo de mães que cobra Auxílio Emergencial

·3 minuto de leitura
  • Ministro posta print sobre o sucesso do Auxílio, mas mães seguem há 2 meses cortadas do programa;

  • Famílias não tem previsão sobre resposta da contestação;

  • Pente fino já cortou benefício de pelo menos 2,2 milhões de famílias.

Sem dar justificativas, Onyx Lorenzoni vem bloqueando mensagens e perfis de mulheres pobres em sua conta no Instagram. O grupo Mães Solo Bloqueadas passou a enviar pedidos ao ministro desde domingo solicitando explicações sobre as 2 parcelas de Auxílio Emergencial suspensas desde junho. 

O 'futuro herdeiro' do Ministério do Emprego postou em sua conta um print da notícia da revista Veja mostrando a política do Auxílio como 'caso de sucesso'. Na legenda, escreveu: "A gente trabalha muito e trabalha direito. Os cães ladram e a caravana passa!"

A pernambucana Rafaelly Souza, uma das mães que administra a conta do grupo no Instagram e Twitter, contou que outras mulheres vem enviando mensagens ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, questionando sobre o tal 'sucesso' relatado por ele e exigindo explicações. "Se milhares de mães ainda continuam dentro dos requisitos para receber o auxílio e foram bloqueadas, eles estão comemorando o que?", contesta.

Após enviarem mensagens ao ministro, dezenas de mães notaram que foram bloqueadas - a conta mostra a mensagem “Não há nenhuma publicação”, mesmo que o perfil possua, além de não permitir verificar informações sobre os seguidores do perfil.

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No Instagram, o perfil Mães Solo Bloqueadas (@maes_solo_bloqueadas), que conta hoje com pouco mais de 3,7 mil seguidores, denuncia diariamente relatos de mulheres que descobrem estar com o benefício cancelado - apenas quando o dinheiro deixa de cair na conta. Segundo o Ministério da Cidadania, pelo menos 1 milhão de pessoas tiveram Auxílio Emergencial suspenso só em junho. 

O grupo vem buscando outras formas de contestar o corte, recorrendo à Justiça para reaver benefício. Um dos relatos recebidos pelo Yahoo! Finanças mostra que as chefes de família não conseguem sequer contestar o corte do benefício. Após tentativas pelo DataPrev, um dos caminhos procurados foi a Defensoria Pública da União.

"Fui procurada por uma mãe que teve seu auxílio desbloqueado, ela também foi bloqueada no dia 11 de Junho. O auxílio foi desbloqueado por DECISÃO JUDICIAL, mas ainda não foi informado a data para o pagamento. Ela foi uma das poucas que conseguiram recorrer a DPU. A grande maioria NÃO consegue ter acesso ao aplicativo, já o site diz que já excedeu o limite de atendimento. Assim estão prejudicando milhares de pessoas aptas a continuarem recebendo seu auxílio emergencial".

Nas instâncias procuradas, Rafaelly disse que o status do pedido segue 'em avaliação' para todas as mães. Enquanto isso, estão há dois meses sem qualquer tipo de renda - algumas com luz elétrica cortada por falta de pagamento, e sem comida na mesa. 

No texto postado pelo ministro, o Ministério da Cidadania é parabenizado. "O governo tem motivos para celebrar o êxito do programa de auxílio emergencial na pandemia, de acordo com dados recebidos pela CPI do Senado", escreveu o colunista José Casado.

Sites e apps para contestação ficam sem acesso

Segundo o Ministério da Cidadania, "os beneficiários que têm o Auxílio Emergencial suspenso, em função de revisões mensais ou outros motivos, podem contestar a decisão. O sistema registra as solicitações em que os critérios de inelegibilidade são passíveis de revisão, ou seja, aqueles em que é possível haver atualização de bases de dados. Caso seja constatado que o cidadão atende aos critérios legais, ele recebe as parcelas retroativamente", informou em nota.

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