No JN, Bolsonaro ataca Folha de S. Paulo e resposta de Bonner repercute nas redes

Reprodução/TV Globo

O presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) deu uma entrevista ao Jornal Nacional nesta segunda-feira (29), a primeira após o resultado pleito. Durante 12 minutos, o capitão da reserva agradeceu aos eleitores, disse que quer governar para todos e prometeu respeitar a Constituição. Além de dizer que quer o juiz Sergio Moro como ministro da Justiça ou do Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro repetiu declarações com conteúdo falso, como o “kit gay”

No entanto, o que mais repercutiu nas redes sociais foi um “embate” entre o presidente eleito e o apresentador e editor-chefe do Jornal Nacional William Bonner. O jornalista perguntou sobre os ataques feitos pelo político ao jornal Folha de S. Paulo, que divulgou denúncias sobre um suposto esquema ilegal de disparos de mensagens no Whatsapp contra o PT e funcionária fantasma.

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Questionado pelo editor-chefe do JN se vai continuar defendendo a liberdade de imprensa, já que em alguns momentos da campanha chegou a desejar que o jornal deixasse de existir, Bolsonaro respondeu: “Totalmente favorável à liberdade de imprensa (…) Não quero que ela acabe, mas, no que depender de mim, na propaganda oficial do governo, imprensa que se comportar dessa maneira, mentindo descaradamente, não terá apoio do governo federal. (Veja a resposta na íntegra abaixo).

Visivelmente, desconcertado, Bonner respondeu Bolsonaro: “Então o senhor não quer que esse jornal acabe. O senhor está deixando isso claro agora”.

“Por si só esse jornal se acabou.  Não tem prestígio mais nenhum. Quase todas as fake news que se voltaram contra mim partiram da Folha de S. Paulo”, rebateu o presidente eleito.

Bonner voltou a responder:

“Presidente, me permita… É… Como editor-chefe do Jornal Nacional, eu tenho um testemunho a fazer. Às vezes, eu mesmo achei que críticas que o jornal Folha de S. Paulo tenha feito ao Jornal Nacional me pareceram injustas. Isso aconteceu algumas vezes. Mas, para ser justo, do lado de cá, o jornal sempre nos abriu a possibilidade de apresentar a nossa discordância, de apresentar os nossos argumentos, aquilo que nós entendíamos ser a verdade. A Folha é um jornal sério. É um jornal que cumpre um papel importantíssimo na democracia brasileira.”

Geraldo Alckmin, candidato derrotado do PSDB à Presidência, respondeu no Twitter que os ataques feitos ao presidente à Folha representam uma “ofensa à moralidade e ao jornalismo nacional”.

Nas redes sociais, o ataque de Bolsonaro ao jornal repercutiu, com reações tanto dos eleitores dele que o defenderam, quanto da oposição, que refutou sua postura. Em matéria, a Folha voltou a apontar detalhes sobre o caso Walderice e sobre as denúncias de disparos ilegais de mensagens via WhatsApp.

LEIA TRANSCRIÇÃO DO TRECHO DA ENTREVISTA DE BOLSONARO AO JN

William Bonner: Presidente, o senhor sempre se declara, enfaticamente, aliás, um defensor da liberdade de imprensa. Mas, em alguns momentos da campanha, o senhor chegou a desejar que um jornal deixasse de existir. É indiscutível que a imprensa não é imune a erros e nem a críticas. E isso vale para qualquer órgão da imprensa profissional. Mas também é fato que a imprensa livre é um pilar da democracia. Como presidente eleito, o senhor vai continuar defendendo a liberdade da imprensa e a liberdade do cidadão de escolher o que ele quiser ler, o que ele quiser ver e ouvir?

Jair Bolsonaro: Totalmente favorável a liberdade de imprensa. Temos a questão da propaganda oficial do governo que é uma outra coisa, mas aproveito o momento para que nós realmente venhamos fazer justiça aqui no Brasil. Tem uma senhora de nome Walderice, minha funcionária, que trabalhava na Vila Histórica de Mambucaba e tinha uma lojinha de açaí. O jornal Folha de S. Paulo foi lá, nesse dia, 10 de janeiro, e fez uma matéria e a rotulou de forma injusta como ‘fantasma’. É uma senhora, mulher, negra e pobre. Só que nesse dia 10 de janeiro, segundo boletim ‘A iniciativa da Câmara’, de 19 de dezembro, ela estava de férias. Então, ações como essa por parte de uma imprensa, que mesmo te mostrando a injustiça que cometeu com uma senhora, ao não voltar atrás, logicamente que eu não posso considerar essa imprensa digna. Não quero que ela acabe, mas no que depender de mim, na propaganda oficial do governo, imprensa que se comportar dessa maneira, mentindo descaradamente, não terá apoio do governo federal”.

Bonner: Então o senhor não quer que esse jornal acabe? O senhor está deixando isso claro agora?

Bolsonaro: Por si só esse jornal se acabou. Não tem prestígio mais nenhum. Quase todas as fake news que se voltaram contra mim partiram da Folha de S. Paulo. Inclusive a última matéria, onde eu teria contratado empresas fora do Brasil, via empresários aqui para espalhar mentiras sobre o PT. Uma grande mentira, mais um fake news do jornal Folha de S. Paulo, lamentavelmente.

William Bonner: Presidente, me permita, como editor-chefe do Jornal Nacional, eu tenho um testemunho a fazer. Às vezes, eu mesmo achei que críticas que o jornal Folha de S. Paulo tenha feito ao Jornal Nacional me pareceram injustas. Isso aconteceu algumas vezes. Mas para ser justo, do lado de cá, eu preciso dizer que o jornal sempre nos abriu a possibilidade de apresentar a nossa discordância, de apresentar os nossos argumentos, aquilo que nós entendíamos ser a verdade. A Folha é um jornal sério, é um jornal que cumpre um papel importantíssimo na democracia brasileira, é um papel que a imprensa profissional brasileira desempenha e a Folha faz parte desse grupo, da imprensa profissional brasileira. Mas a gente pode seguir adiante com a próxima pergunta da Renata, por favor.