No lugar de edifício que caiu, SP fará prédio de 15 andares para moradia social

ARTUR RODRIGUES
*ARQUIVO* SÃO PAULO , SP, BRASIL, 02/05/2018: Vista panorâmica dos escombros do desabamento do edifício Wilton Paes de Almeida, que desabou após incêndio na madrugada de terça-feira (01). (Foto Marcelo Justo/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Dois anos após o desabamento de edifício Wilton Paes de Almeida, que deixou sete mortos e 291 famílias desabrigadas, a gestão Bruno Covas (PSDB) anuncia que construirá um edifício de uso misto de 15 andares no lugar do prédio destruído.

O empreendimento, em frente ao largo do Paissandu, terá 90 unidades para moradia social e equipamentos da Prefeitura de São Paulo. Localizado na esquina da avenida Rio Branco com a rua Antônio de Godói, prédio deve ser batizado como Novo WPA, as iniciais do antigo edifício.

Erguido nos anos 1960, o icônico prédio de vidro pertencia ao governo federal e teve vários usos, de sede da Polícia Federal a agência do INSS. Abandonado desde o fim dos anos 2000, ele foi invadido e virou moradia precária para centenas de famílias.

O edifício pegou fogo na madrugada de 1º de maio de 2018 e desabou. Os desdobramentos da tragédia duraram meses, com um grande número de desabrigados, que ocuparam o largo Paissandu.

O processo de doação pelo governo federal, cujas negociações duraram quase dois anos, já foi terminado, segundo a prefeitura. A Câmara autorizou o uso de verba para a construção e o contrato deve ser assinado na segunda (4).

Projetado por arquitetos da prefeitura, o espaço terá entradas tanto pela av. Rio Branco quanto pela r. Antônio de Godói. Com 15 pavimentos, sem contar o térreo, ele será mais baixo que o Wilton Paes de Almeida, que tinha 24.

Na parte inferior, aberta ao público, haverá espaços das pastas de Cultura e Desenvolvimento Social. O conceito é o da chamada fachada ativa, em que o andar térreo é aproveitado para outras funções que não moradia. Logo acima, no primeiro e segundo andares, haverá apartamentos projetados especialmente para idosos e portadores de necessidade especiais. Essas unidades terão sanitários adaptados e próprios para uso com cadeira de rodas.

O terceiro pavimento consiste em espaço com áreas de lazer exclusiva aos moradores. Os demais andares serão de apartamentos com plantas diferentes, que poderão ter um ou dois dormitórios.

É o primeiro conjunto habitacional da prefeitura que divide espaço com equipamentos públicos. A prefeitura estima que, entre licitação e obras, o projeto saia do papel em 32 meses, com entrega prevista para 2022. O custo é de R$ 15 milhões, dinheiro que vem do Fundurb (Fundo de Desenvolvimento Urbano).

"É uma vitória assinar o contrato do terreno, ter o projeto pronto e o recurso reservado para a obra, porque foi um dos momentos mais dolorosos da minha gestão à frente da prefeitura. Infelizmente a tragédia já está completando dois anos", afirmou o prefeito Bruno Covas. "Na administração pública nem sempre conseguimos resolver de imediato certas situações e a gente acaba sofrendo junto com as pessoas por causa da demora. Importante agora é resolver."

Segundo a prefeitura, os critérios de escolha para morar no local serão os mesmos do aluguel social para pessoas em situação de rua. Também deve haver prioridade para idosos.

Questionada se os antigos moradores da ocupação estão incluídos, a prefeitura afirmou que "eles entraram no auxílio aluguel para aguardarem atendimento habitacional definitivo e já estão sendo atendidos". A cidade ainda tem um déficit estimado em 474 mil moradias.