No mesmo dia que Butatan anuncia nova vacina, governo Bolsonaro corre para divulgar imunizante com recursos federais

Julia Lindner, Renata Mariz e Paula Ferreira
·1 minuto de leitura

BRASÍLIA - O ministro de Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, anunciou nesta sexta-feira que uma candidata a vacina contra a Covid-19 apoiada pelo governo federal solicitou ontem à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorização para testes em humanos. Pontes convocou a imprensa horas após o governo de São Paulo dizer que pretende iniciar testes para outro cotado a imunizante nacional, o Butanvac. Ele estava ao lado do novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

- Do meu ponto de vista não tem nada a ver uma coisa com a outra. Não tem nada a ver um fato com outro. Nós temos anunciado o trabalho com as vacinas nacionais há muito tempo - minimizou Pontes em conversa com jornalistas - É bom para o país. A gente precisa ter várias vacinas nacionais. Essa aqui é uma que a gente tem trabalhado bastante.

Segundo Pontes, a produção de três vacinas nacionais avançaram recentemente. Uma delas, em desenvolvimento pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, foi protocolada na quinta-feira junto à Anvisa.

Ele não especificou quanto tempo devem durar os testes, mas deu uma previsão de cerca de três meses para as duas fases inicias, com 300 voluntários. Depois, são necessárias 20 mil pessoas para a terceira etapa, porém o ministro disse que é possível acelerar a tramitação e até fazer algumas abertas para eventualmente pedir o uso emergencial.

Em seguida, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que "o importante é vacinar a população brasileira". Para Queiroga, os imunizantes são os principais ativos para "por fim à pandemia que é o que todos nós queremos". Queiroga admitiu que a quantidade de vacinação no Brasil ainda não é a ideal:

- Em proporção à nossa capacidade de vacinar, ainda não estamos vacinando como queremos.