No primeiro ano de recuperação econômica, em 2017, Rio registra queda do PIB

Pedro Capetti
Indústria de bebidas em Duque de Caxias, Baixada Fluminense: este é o terceiro ano que o estado apresenta contração da sua atividade econômica

RIO — No primeiro ano de recuperação econômica, o Produto Interno Bruno ( PIB ) do estado do Rio de Janeiro retraiu 1,6% em 2017, na contramão do desempenho nacional,  que foi de crescimento de 1,3%. Os dados regionais foram divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE . Este é o terceiro ano consecutivo que o estado apresenta contração da sua atividade econômica. Desde 2014, o PIB do estado retraiu -9,4%.

O recuo de 1,6% foi influenciado pelo desempenho negativo da agropecuária (-2,0%), indústria (-3,1%) e serviços (-1,5%). O estado foi a única unidade brasileira a ter retração nessas três atividades econômicas e apresentou o pior desempenho econômico do país em 2017.

Ao todo, o PIB fluminense movimentou R$ 671,3 bilhões naquele ano, o correspondente a 10,2% de todo o volume produzido em 2017. O desempenho econômico negativo na crise tem feito com que a cidade perca ainda mais relevância na participação de tudo o que é produzido no país. Em 2002, o estado foi responsável por 12,4% de tudo o que foi produzido. Este foi o quinto ano consecutivo de queda na participação fluminense.

Segundo o IBGE, entre os fatores que influenciaram esse resultado está a perda de participação da indústrias extrativa que representava 60% da atividade nacional, em 2002, e passou a 31%, em 2017. Fatores como a queda da atividade econômica após as Olimpíadas também influenciaram o resultado em 2017.

— No Rio, a queda em volume está ancorada nas atividades de construção civil e de comércio e serviços de informação e comunicação. Temos que lembrar que em 2016 houve Olimpíadas, então a base de comparação é elevada. Isso também corrobora para essa queda — explica Alessandra Poça, gerente de Contas Regionais do IBGE.

Além do Rio, Sergipe e Paraíba foram os únicas unidades da federação que apresentaram queda da atividade econômica. O desempenho se deve grande parte de seus resultados negativos à retração da indústria, em função do setor de Construção, com resultados de -13,2% e -11,2%, respectivamente, na comparação com 2016.

Além disso, segundo o IBGE, houve redução na produção de energia elétrica pela usina de Xingó, em Sergipe, e da indústria de transformação, na Paraíba.

Entre as demais 24 unidades da federação, a alta de 2017 é a primeira após dois anos de quedas seguidos, com exceção de Roraima e Distrito Federal, que não tiveram variações negativas em 2016.

O melhor desempenho foi registrado em Mato Grosso, com crescimento de 12,1% em 2017, influenciado pelo desempenho da agropecuária, sobretudo os cultivos de milho, algodão e soja.

De acordo com a publicação, em 10 das 18 Unidades da Federação com variação em volume do PIB superior à do Brasil, o desempenho da Agropecuária foi determinante, após um desempenho em 2016 afetado drasticamente por condições climáticas desfavoráveis.

Em São Paulo, estado com a maior economia do Brasil, o PIB variou 0,3%, com influência dos resultados negativos da Construção (-8,5%), Atividade financeira, seguros e serviços relacionados (-3,3%) e Serviços de Informação e comunicação (-1,4%). Mas mesmo com as reduções, São Paulo e Rio de Janeiro, mantiveram as posições de primeira e segunda economia do país.

Entre 2016 e 2017, o Sudeste e o Centro-Oeste perderam participação no PIB nacional, puxados por São Paulo, Mato Grosso e Distrito Federal. As Unidades da Federação que ganharam participação foram Pará, Santa Catarina, Pernambuco, Minas Gerais e Rondônia.

Apesar de apresentar sua menor participação da série, em 2017 o Sudeste continuou concentrando mais da metade do PIB nacional, 52,9%.

Em 2017, foi a primeira vez na série em que a remuneração dos empregados perdeu participação em relação ao ano anterior, apesar de se manter como principal componente (44,4%).

A redução se deve à queda no número de empregados com carteira de trabalho assinada, o que fez com que o crescimento nominal das remunerações (4,2%) fosse inferior aos demais componentes do PIB.

Naquele ano, segundo dados da Pnad Contínua,a taxa de desemprego ficou em 12,7%, recorde da série histórica da pesquisa, iniciada pelo IBGE em 2012. Isso quer dizer que, em média, o desemprego atingiu 13,23 milhões de pessoas da força do trabalho no ano passado. Esse foi o maior contingente de pessoas sem trabalho dos últimos anos.

— As remunerações cresceram em uma taxa menor que os outros dois componentes (impostos e excedente operacional bruto). Esse crescimento menor fez com que a remuneração dos empregados perdesse participação. Quando vemos os dados, a massa salarial dos empregados com vínculo diminui, o que faz que perca a participação — afirma Alessandra Poça, gerente de Contas Regionais do IBGE.

O número de empregados no setor privado caiu em 953 mil pessoas entre esses dois anos. Esse grupo era formado por 34,3 milhão de trabalhadores em 2016 e caiu para 33,34 milhões em 2017. Já os empregados informais saltaram de 10,15 milhões para 10,7 milhões nessa mesma comparação.

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