No primeiro carnaval longe da Avenida, Sabrina Sato fala da quarentena em família e dos 40 anos: 'Me sinto com 18'

Isabella Cardoso
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Depois de passar pelo “Big Brother Brasil 3”, em 2003, Sabrina Sato nunca teve um carnaval longe dos holofotes. Em São Paulo, ela samba há 16 anos pela Gaviões da Fiel — se não fosse a pandemia, iria para o 17º desfile na escola. No Rio, primeiro ela passou pelo Salgueiro, de 2005 a 2010. Mas desde 2011, é da Vila Isabel a parte carioca de seu coração. Aquariana, está acostumada a fazer aniversário nesta época, pela qual é apaixonada, em meio aos preparativos para a folia. Em 2021, no entanto, tem sido tudo diferente. A apresentadora completou 40 anos no dia 4 sem festa, mas com reflexão, gratidão e também com saudade do Sambódromo, seja o do Rio ou o de São Paulo:

— É difícil porque, para mim, além de samba, Sapucaí, Vila, Gaviões, esta época é de abraçar as pessoas, se jogar, colocar fantasia, se divertir, se entregar. Carnaval é alegria pura, é democrático. Então, não vai ser fácil ficar longe da folia. Gosto de gente, de estar no meio do povo. Faz muita falta o abraço, o calor e o contato físico. É muito doido e triste ficar sem carnaval, mas procuro ver sempre o lado bom. Vou ferver com a minha família aqui em casa. Vou curtir com Zoe, já até mandei fazer fantasia.

O título que abre esta reportagem não traz versos de Noel nem de Martinho, ícones da Vila Isabel, mas de outro compositor que tem tudo a ver com carnaval: o mangueirense Chico Buarque. Como diz a letra de “Quando o carnaval chegar”, Sabrina, por enquanto, está se guardando, só vendo, sabendo, sentindo e escutando, sem ainda poder falar. Ou curtir. Por causa da pandemia, até a celebração pelos 40 foi adiada.

— Eu amo festa, estar com gente, o que me faz muita falta — confessa ela.

O aniversário, no entanto, não passou batido graças ao marido, Duda Nagle, à família e ao carinho dos amigos.

— Todo ano eu comemoro já no ritmo de carnaval, a mil. Neste aniversário, Duda fez uma surpresa, me levou para um hotel e passamos a noite lá. A comemoração foi só com ele. No dia seguinte, voltei para casa e lá tinha uns dez bolos, sem brincadeira, e um monte de flor. Minha mesa inteira, que é enorme, estava cheia. Fui distribuindo os doces. Dei para os porteiros, para o pessoal que trabalha comigo e comi um monte também — conta Sabrina, lembrando com carinho de um episódio na quadra da Azul e Branco: — Teve um ano em que comemorei um aniversário na Vila Isabel, e era um bolo tão grande que eu tive que levar para casa e congelar. Toda vez que vinha alguém me visitar, o povo reclamava, porque eu descongelava o bolo e dava um pedaço (risos).

Mas a pandemia não mudou apenas o carnaval de Sabrina. Dona de um corpaço, a apresentadora conta que faz exercícios há anos, principalmente, por causa da saúde mental, mas, nos últimos meses, assim como boa parte das pessoas, ganhou peso.

— Eu tenho deficit de atenção. Às vezes, estou conversando ou entrevistando alguém e, logo depois, estou viajando. A atividade física me ajuda muito a dar uma centrada, botar o pé no chão, além de me deixar com mais autoestima. A pessoa com esse transtorno tem que tomar cuidado porque senão se sente um ET, parece que ninguém vai te entender — desabafa Sabrina, admitindo: — Na quarentena, eu engordei, como a maioria das pessoas, uns cinco ou seis quilos, mesmo malhando todos os dias, porque eu comia muito mais do que devia. Eu estava compulsiva, com ansiedade. Mas me cobro fazer exercícios mesmo sem vontade porque sei que é importante para mim.

Além do talento, da beleza e da simpatia — talvez o traço mais marcante para quem conversa com ela —, a apresentadora é considerada um ícone da moda por seu estilo ousado. E esse lado fashion não foi deixado de lado mesmo saindo menos de casa: é só entrar no Instagram para ver. Mas como é Sabrina no dia a dia?

— Arrumada sou uma pessoa, desarrumada sou outra completamente diferente. Vivo montada, então acho que se eu passar normal ninguém me reconhece (risos). Teve um dia em que parei numa farmácia depois de correr na rua, e um cara olhou para mim espantado: “Sabrina? Está tão diferente! Só te reconheci pela voz”. Tudo porque eu estava desmontada — diverte-se.

Apesar de gostar de “se montar”, como ela mesma define, Sabrina garante ser uma pessoa simples.

— Sou exibida, gosto de estar fantasiada, bem vestida, mas é uma “montação” mesmo. No meu dia a dia, sou muito simples nos gostos, nas escolhas. Gosto de ficar em casa com a família, fazer um churrasco... — enumera ela, que não perde tempo e emenda: — Mas também já está bom de ficar em casa (risos)! Eu sou festeira. Nisso, eu e Duda somos opostos. Ele é supercaseiro e já vivia numa quarentena e num isolamento social antes da pandemia.

O período em casa serviu para Sabrina reviver sonhos antigos, que nunca haviam saído do papel por falta de tempo. Há duas semanas, a Japa estreou seu novo programa, “#SaladaSato”, exibido às quartas-feiras, às 19h, em seu canal no YouTube, onde traz à tona uma salada de assuntos com convidados numa sala de estar:

— É muito louco como tudo tem seu momento e sua hora. Eu já tinha esse projeto escrito desde a época do “Pânico”. Lógico que, se não fosse a pandemia, seria algo maior, com mais bagunça, como é a minha casa. Lá não tem ninguém, aí daqui a pouco chega uma pessoa, depois outra... É uma mistureba de gente! — diz ela, que queria gravar na própria sala, mas, consciente, preferiu não colocar a família em risco: — Eu queria que fosse na minha casa mesmo. Com a quarentena, não deu, e fizemos num estúdio. Vou promover essas misturas com convidados que rendem um bom papo.

Acostumada a olhar o lado bom de tudo, Sabrina diz que encontrou um momento de reflexão na quarentena, que passou com Duda, a filha, Zoe, de 2 anos, e seus pais, Omar e Kika. Segundo ela, foi em 2020 a primeira vez em que parou na vida:

— Nunca imaginei que passaria tanto tempo com minha família, Duda, Zoe... Eu nunca tinha ficado quieta, e fui obrigada a parar. Tem sido muito importante poder ouvir, conviver, aprender com eles. Refleti sobre tudo o que estou fazendo, o que já fiz, o que quero fazer, sobre meus desejos, sobre completar 40 anos... Comecei a pensar em tudo mesmo. Quero realizar tanta coisa que parece que estou com 18 ainda! Tenho tanto sonho, gás, força, vontade.

E por falar em Zoe, Sabrina conta que a menina, apesar da pouca idade, já está mostrando a que veio. Não é à toa que ela se derrete toda pela pequena.

— Hoje (na última terça-feira), quando cheguei em casa, fui direto ver a Zoe, que logo questionou: “Onde você estava, mãe? Com quem?”. Ela é muito carinhosa, uma benção, um presente. Não tenho como explicar como sou grata todos os dias por ela estar na minha vida. Sou eu que aprendo muito com ela. Ela está na fase de fazer 500 mil perguntas, de querer estar junto e participar de tudo. Tem gente que chama de “terrible two” (em tradução, os “terríveis” 2 anos), uma fase em que faz manha para tudo. Mas é engraçado porque parece que ela tem muita noção. Entende e é obediente. Não posso nem reclamar disso porque quando eu falo, por exemplo, que não pode dormir com a mamãe, que tem que dormir no quarto dela, ela obedece — conta Sabrina, que tem lido sobre maternidade e já planeja aumentar a família: — Penso em ter mais, adotar. Vou deixar acontecer, mas mais para frente eu quero. Não é fácil. Você não tem noção da quantidade de mães que sigo no Instagram para pegar as dicas! Durmo e acordo ouvindo aplicativos de livros. Meus pais são psicólogos, também os ouço, mas acho que, ao mesmo tempo, temos que seguir nosso coração e fazer do nosso jeito.

Seguir o coração é justamente o que ela faz. Na época ex-dançarina do “Domingão do Faustão”, a paulista de Penápolis se inscreveu no “Big Brother Brasil 3” e saiu de lá como uma celebridade. Não ganhou o prêmio, mas ganhou fama — só no Instagram, Sabrina acumula quase 30 milhões de seguidores. Em 2003, o reality ainda estava ganhando forma. Com o passar dos anos, foi lançando polêmicas e gerando debates. O do momento é o cancelamento.

— Não podemos ter medo de nada, porque o medo nos para. Essa cultura do cancelamento faz isso com a gente. Temos que fazer o que temos vontade, falar o que queremos, o que sentimos. Participei de uma outra época do “BBB”, de muita inocência, a gente era o que era mesmo, sem se preocupar com o que as pessoas estavam pensando — lembra ela, que completa: — Prego essa liberdade, acho que também pelo fato de ser aquariana. Detesto quando tentam me controlar ou me calar. Mexe muito comigo. Demonstro essa liberdade na forma de me vestir, de me expressar, amando o carnaval, a diversidade e as pessoas que quebram regras, preconceitos, barreiras.

Sabrina lembra com carinho e não tem problema em dizer que é ex-BBB. E se pudesse dar um conselho aos atuais participantes — ou a quem quer que seja, frisa ela —, seria “elogie mais, critique menos”:

— Se você se coloca no lugar do outro, não tem coragem de cancelar. Eu jamais vou apontar o dedo para alguém porque sei dos meus defeitos e dos meus erros. Prefiro bater palma. Os elogios têm um poder muito grande. Se for abrir a boca, abra para elogiar, ser simpático, agradável, colocar o outro para cima. Temos que ver o lado bom das pessoas e o brilho de cada um.