No Recife, candidatos que ficaram em 3º e 4º descartam apoio na 'disputa dos primos'

Bruno Góes
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Montagem / Divulgação
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BRASÍLIA — Candidatos derrotados na disputada eleitoral do Recife, Mendonça Filho (DEM) e Delegada Patrícia Domingos (Podemos), terceiro e quarta colocados, descartaram o apoio aos dois postulantes que passaram ao segundo turno. Ainda disputam a eleição os primos João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT), que tiveram, respectivamente, 29,17% dos votos válidos e 27,95%.

Mendonça e Patrícia somaram 39,17% dos votos válidos no primeiro turno. Eram adversários pelo voto de direita e centro-direita, mas acabaram ficando de fora. O candidato do DEM, que teve cerca de 200 mil votos, ou 25,11%, agradeceu o apoio dos eleitores nas redes sociais, mas destacou:

"Continuamos na resistência ao projeto de poder do condomínio PSB/PT, que abandonou o Recife e transformou nossa cidade na capital da desigualdade social, da corrupção e da má gestão".

Pela manhã, ao falar com a imprensa local, Mendonça reconheceu que houve "uma divisão do centro para a direita".

— Uma decisão política minha, de Priscila (Krause, sua vice), do DEM, é a de não apoiar nenhum eleito. Nós combatemos nas urnas, oferecermos alternativas para o Recife, mas infelizmente não conseguimos captar os votos suficientes para passar para o segundo turno — disse Mendonça, segundo o Jornal do Commercio.

Já Delegada Patrícia, antes mesmo do resultado da votação, na noite de segunda-feira, havia descartado a hipótese.

— Eu mantenho minha coerência. Não subo em palanque nem do PSB e nem do PT. A gente tem que ver o que vai ser o resultado da apuração, mas de antemão, já adianto que PT e PSB não terão meu apoio nem hoje e nem nunca — disse a candidata.

Apesar de ser um disputa local, o pleito representou uma derrota para o presidente Jair Bolsonaro. Há uma semana, ele declarou apoio formal a Patrícia. A candidata já estava em queda quando o presidente da República resolver interferir na capital de Pernambuco.

A campanha de Patrícia Domingos entrou em crise e começou a desmoronar quando Mendonça Filho levou ao programa de TV mensagens antigas escritas por ela no Facebook. Foram reveladas postagens preconceituosas. Numa delas, Patrícia, que é carioca, chamou a capital pernambucana de "Recífilis".

O apoio de Bolsonaro gerou ainda uma crise interna na chapa da delegada à prefeitura. O Cidadania, que indicou o vice Leo Salazar, deixou de apoiá-la. Em nota, o presidente nacional da legenda, Roberto Freire, afirmou que o apoio de Bolsonaro, classificado como "um obscurantista e negacionista", é "incompatível com os valores e princípios" do partido. Do lado de Mendonça, o apoio também incomodou. O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB), foi às redes sociais reiterar seu apoio a Mendonça. Sobre a atitude de Bolsonaro, se disse "surpreendido".