No Recife, Ibope aponta segundo turno entre João Campos (PSB) e Marília Arraes (PT)

Bruno Góes
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BRASÍLIA — Na véspera da votação em primeiro turno, o candidato do PSB, João Campos, mantém a liderança na corrida à prefeitura do Recife, segundo pesquisa Ibope. Aliado do atual prefeito, Geraldo Julio (PSB), o filho do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos aparece com 39% dos votos válidos. O cenário mostrado pelo levantamento indica que ele terá Marília Arraes, do PT, como adversária no segundo turno, com 26%. Mendonça Filho, do DEM, aparece em seguida com 18%.

A pesquisa Ibope divulgada neste sábado mostra um quadro diferente do levantamento do Datafolha. Neste último, Mendonça aparece empatado tecnicamente com Marília Arraes, o que não ocorre no Ibope. A margem de erro é de três pontos. A candidata Delegada Patrícia Domingos, do Podemos, agora aparece com 14% dos votos válidos. Mesmo após o apoio do presidente Jair Bolsonaro, a campanha parece não conseguir reagir.

No cenário em que são considerados os votos brancos e nulos, o Ibope mostra João Campos com 34% das intenções de voto, seguido por Marília Arraes, com 23%; Mendonça Filho, com 15%; e Delegada Patrícia Domingos, com 12%. A pesquisa, encomendada pela TV Globo e pelo Jornal do Commercio, ouviu 1.106 eleitores entre os dias 12 e 14 de novembro. Declararam voto em branco ou nulo 10% dos entrevistados, enquanto 3% não souberam responder. Pontuaram ainda no levantamento Carlos Andrade Lima (PSL), com 1% e Coronel Feitosa (PSC), com 1%. Charbel (Novo), Thiago Santos (UP), Cláudia Ribeiro (PSTU) e Victor Assis (PCO) não pontuaram.

Em simulação de segundo turno, João Campos venceria os principais candidatos. Contra a prima, Marília Arraes, teria 43% ante 33% da petista. Se enfrentasse Mendonça Filho, a projeção é de vitória por 48% a 31%. Já contra Patrícia Domingos, a vantagem é maior: 54% a 25%.

Com a pesquisa divulgada nesta sábado, Delegada Patrícia permaneceu com alto índice de rejeição. Entre os entrevistados, 42% disseram não votar de jeito nenhum na delegada. A dificuldade aumentou depois que o seu adversário direto, Mendonça Filho, levou ao programa de TV mensagens antigas escritas por ela no Facebook. Foram levadas ao ar postagens preconceituosas. Numa delas, Patrícia, que é carioca, chamou a capital pernambucana de "Recífilis". Em relação à pesquisa anterior, a delegada oscilou de 13% para 14% dos votos válidos.

Há uma semana, o presidente Jair Bolsonaro declarou apoio formal à candidatura de Patrícia. Ela, inclusive, divulgou uma gravação ao lado do presidente. A aliança, no entanto, não surtiu efeito. O apoio gerou ainda uma crise interna na chapa à prefeitura. O Cidadania, que indicou o vice Leo Salazar, deixou de apoiá-la. Em nota, o presidente nacional da legenda, Roberto Freire, afirmou que o apoio de Bolsonaro, classificado como "um obscurantista e negacionista", é "incompatível com os valores e princípios" do partido.

Enquanto a delegada desidrata, o ex-ministro da Educação de Michel Temer Mendonça Filho ganha apoio de setores da direita e centro-direita. Há um mês, Patrícia Domingos estava numericamente à frente do candidato do DEM. A campanha do ex-ministro havia procurado aliados do presidente para tentar formalizar o apoio, mas havia conseguido um acordo de que Bolsonaro só iria entrar na campanha do Recife no segundo turno das eleições. Aliados de Mendonça creditam ao presidente da Embratur, Gilson Machado Neto, ter convencido Bolsonaro a apoiar a delegada. Em relação à última pesquisa, Mendonça saiu de 20% para 18% dos votos válidos.

Segundo a pesquisa desta quarta-feira, João Campos tem 26% de rejeição. Mendonça Filho tem 27% e Marília Arraes, 23%.

Apesar dos ataques de Mendonça contra a delegada, João Campos é o alvo preferencial da campanha eleitoral. Marília Arraes, cuja candidatura foi garantida pelo ex-presidente Lula, passou a atacar o primo com mais intensidade. A situação deixa o PT pernambucano em uma saia-justa, já que possui uma boa relação com o PSB. Na terça-feira, em debate, Marília perguntou se Campos confiava na equipe de Geraldo Julio após a realização de operações da Polícia Federal. João Campos disse que sim, mas ressaltou que causava estranheza uma candidata do PT falar de corrupção.

Marília participou na sexta-feira de uma transmissão ao vivo com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o principal cabo eleitoral da candidata. Na conversa, Lula se comprometeu a comparecer à posse da petista, caso seja eleita.

Segundo a pesquisa, Marília saiu de 24% para 26%. Já João Campos oscilou de 38% para 39%. O levantamento foi registrado sob o número PE-02565/2020.