No Reino Unido, concessão de contratos públicos 'entre amigos' aumentou na pandemia

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Perguntas foram feitas não apenas sobre o caso de Hancock, mas os contratos que ele assinou

O governo britânico é alvo de críticas crescentes pelas polêmicas concessões de contratos públicos durante a pandemia, que mostram claros favoritismos e estão manchando a reputação das autoridades.

"Acredito que, se compararmos com o Reino Unido de uma década atrás, há um nível de corrupção sem precedentes", afirmou Emily Barritt, professora de direito no London King's College, entrevistada pela AFP.

A renúncia repentina, no final de junho, do ministro da Saúde Matt Hancock, após revelações de que mantinha uma relação extraconjugal com Gina Coladangelo, quem contratou como sua assessora, é o caso mais recente de uma contratação controversa.

Hancock já esteve envolvido em outros contratos públicos pouco claros vinculados ao combate à covid-19, especialmente um para fabricar tubos de ensaio por um valor de 30 milhões de libras esterlinas (mais de 41 milhões de dólares), concedido sem licitação à empresa inexperiente de um vizinho dele.

O jornal The Daily Telegraph afirma que outro contrato foi concedido, por 28 milhões de libras esterlinas, a uma empresa cujo diretor era irmão de Coladangelo.

Outro membro do governo conservador de Boris Johnson, Michael Gove, foi declarado culpado por conceder ilegalmente, sem pedir licitação, um contrato de 560.000 libras a uma empresa de pesquisas de opinião, a Public First, relacionada com o ex-assessor do primeiro-ministro Dominic Cummings.

Diante desses "grandes problemas de clientelismo", a oposição trabalhista solicita uma investigação independente.

Segundo Daniel Fisher, pesquisador da City University, a pandemia permitiu "relaxar ainda mais as regras", que já eram muito flexíveis, para os contratos públicos, "por meio de concessões nebulosas em meio às medidas de emergência".

O ministério da Saúde, contatado pela AFP, afirmou que é "errado dizer que relaxamos as regras de concessões. Temos regras estritas (...) e os ministros não têm nenhum papel nesses procedimentos".

O governo tem o direito, em casos de força maior, de não convocar licitações, mas deve publicar os termos dos contratos concedidos legalmente, o que não fez em diversos casos.

Segundo a ONG Good Law Project, que iniciou julgamentos contra o Executivo, os gastos relacionados aos contratos públicos vinculados à covid-19, entre abril e novembro de 2020, alcançaram ao menos 17 bilhões de libras esterlinas, mas os detalhes de mais de um quarto deles não foram revelados.

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