No Rio, cenário continua indefinido para o segundo turno após pesquisas do Ibope e Datafolha

O Globo
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RIO - Após sete semanas, a corrida pela prefeitura do Rio se afunilou na véspera do primeiro turno, mas segue com cenário indefinido, segundo pesquisas Ibope e Datafolha divulgadas ontem. Eduardo Paes continua na liderança, com a preferência de cerca de um terço do eleitorado: 35%, de acordo com o Ibope, e 33% para o Datafolha.

A indefinição está na briga pela outra vaga no segundo turno. No Datafolha, o atual prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) se descolou de Martha Rocha (PDT), que hoje está mais próxima de Benedita da Silva (PT). Já segundo o Ibope, Benedita ultrapassou Martha numericamente. Nos votos válidos, Crivella supera Martha e Benedita acima da margem de erro no Datafolha, mas os três empatam tecnicamente no Ibope.

Segundo o Datafolha, Crivella oscilou um ponto para cima às vésperas da eleição e agora tem 15% dos votos totais, ante 11% de Martha e 9% de Benedita. Como a margem de erro desta pesquisa é de dois pontos percentuais, Martha só empata com Crivella no limite da margem, hipótese pouco provável. Nos votos válidos, cenário em que brancos, nulos e indecisos são excluídos da porcentagem — esta é a forma como a Justiça Eleitoral calcula o resultado —, a distância de Crivella para Martha (18% a 13%) sugere menor chance para a pedetista chegar ao segundo turno.

Na pesquisa Ibope, Crivella tem 14% dos votos totais, contra 11% de Benedita e 9% de Martha, que caiu cinco pontos em relação à pesquisa anterior, divulgada na segunda-feira. A margem de erro é de três pontos. Nos votos válidos, o atual prefeito chega a 16%, ante 13% para Benedita e 11% para Martha. Em ambos os levantamentos, Paes tem cerca de 40% dos votos válidos, o que indica ser pouco provável uma vitória em primeiro turno — para isso ocorrer, um candidato precisa ter mais de 50% dos votos. Nos cenários de segundo turno testados por Ibope e Datafolha, o candidato do DEM venceria todos os adversários.

Martha chegou a empatar numericamente com Crivella no fim de outubro, momento em que a pedetista figurava entre as menores taxas de rejeição do eleitorado, segundo as pesquisas.

Sobe e desce

O crescimento, contudo, acabou estancado em meio a ataques de Paes, de Crivella e também a uma resistência de parte da esquerda ao voto útil na delegada. As intenções de voto em Benedita e também em Renata Souza (PSOL), que aparece com 2% no Ibope e 4% no Datafolha, mal se alteraram durante as flutuações de Martha, indicando que a candidata do PDT não conseguiu, até a véspera da eleição, atrair eleitores mais afinados ao ex-presidente Lula e ao deputado federal Marcelo Freixo.

Ao longo da campanha, a alta rejeição a Crivella deixou em aberto a possibilidade de que ele se tornasse o primeiro prefeito do Rio a ficar fora do segundo turno desde 2000, quando tornou-se possível a reeleição municipal. Naquele ano, o então prefeito Luiz Paulo Conde foi derrotado por Cesar Maia no segundo turno. As duas últimas campanhas à reeleição, do próprio Maia, em 2004, e de Eduardo Paes em 2012 terminaram com vitórias em primeiro turno, cenário mais do que improvável para Crivella este ano.

Diferentemente das disputas de 2000 e 2008, nas quais um candidato liderava com mais de 30% e a outra vaga em segundo turno foi decidida por dois candidatos em votação apertada, a última eleição municipal trouxe uma disputa tripla com o avanço de Flávio Bolsonaro (PSC) acima da margem de erro na reta final, juntando-se ao patamar de Marcelo Freixo (PSOL) e Pedro Paulo (MDB). Naquele ano, a fragmentação ao centro e à direita favoreceu Freixo, que conseguiu atrair votos no campo da esquerda e foi ao segundo turno contra Crivella. Na atual eleição, o mais cotado a se beneficiar da pulverização partidária é o atual prefeito. Luiz Lima (PSL), outro postulante ao voto bolsonarista, estacionou em 5% das intenções de voto na última semana, de acordo com Ibope e Datafolha.

O Ibope ouviu 1.204 pessoas entre ontem e quinta-feira. A pesquisa foi encomendada pela TV Globo e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo RJ-02939/2020. Já o Datafolha ouviu 1.875 eleitores ontem e anteontem, em pesquisa encomendada pela TV Globo e pelo jornal “Folha de S. Paulo”, e registrada como RJ-08430/2020. O nível de confiança das duas pesquisas é de 95%.