No Rio, polícia derruba memorial que homenageia mortos na Chacina do Jacarezinho

O memorial, inaugurado no último dia 6 de maio, homenageava os moradores assassinados na chacina de 2021. A ação policial foi a mais letal da história do estado do Rio. (Photo by ANDRE BORGES / AFP) (Photo by ANDRE BORGES/AFP via Getty Images)
O memorial, inaugurado no último dia 6 de maio, homenageava os moradores assassinados na chacina de 2021. A ação policial foi a mais letal da história do estado do Rio. (Photo by ANDRE BORGES / AFP) (Photo by ANDRE BORGES/AFP via Getty Images)
  • Memorial foi construído em homenagem aos 28 assassinados na Chacina do Jacarezinho em 202;

  • Moradores realizaram protesto no último dia 6, 1 anos após as mortes;

  • Polícia afirmou que mortos eram envolvidos com atividades criminosas.

Imagens que circulam nas redes sociais exibiram forças de segurança destruindo, nesta quarta-feira (11), uma estrutura que servia de homanagem aos 28 mortos na Chacina do Jacarezinho, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O memorial, inaugurado no último dia 6 de maio, homenageava os moradores assassinados em 2021, em chacina que resultou na ação policial mais letal da história do estado do Rio.

No Twitter, o advogado Joel Luiz da Costa denunciou o ocorrido.

"A polícia do Rio derrubou o memorial que construímos em homenagem às vítimas da chacina do Jacarezinho. Não basta banalizar o derramamento de sangue, eles ainda tripudiam da nossa resistência! Seguiremos resistindo", escreveu na postagem.

Em nota, a Polícia Civil afirmou que o memorial era "ilegal", além de afirmar que os mortos tinham envolvimento em atividades criminosas. "O registro de ocorrência que definiu a diligência para retirada do memorial levou em consideração a apologia ao tráfico de drogas, uma vez que os 27 mortos tinham passagens pela polícia e envolvimento comprovado com atividades criminosas, além do fato de que a construção do mesmo não tinha autorização da Prefeitura do Rio de Janeiro".

Procurada, a Defensoria Pública do Rio de Janeiro repudiou a ação e a acusação da polícia. "É irrelevante qualquer acusação criminal contra as vítimas da chacina do Jacarezinho. A homenagem era um ato de acalento de instituições da sociedade civil às famílias das vítimas da operação mais letal da história do Rio de Janeiro. Sua destruição representa mais uma violência contra essas famílias, e nenhuma forma de violência pode ser justificada ou celebrada", declarou Guilherme Pimentel, ouvidor geral da DPRJ.

Moradores fizeram protesto no último dia 6

Moradores da favela do Jacarezinho realizaram protesto no dia em que completa um ano da operação da Polícia Civil que deixou 28 mortos na comunidade — a mais letal da história. Em ruas da região, os moradores escreveram que a ação policial foi uma "chacina". No ato também foram exibidos cartazes criticando o racismo estrutural com frases "vidas negras e faveladas importas".

— Olhamos com uma percepção que não tivemos nenhuma resposta até agora. Casos de investigação foram arquivados — disse Diego Aguiar, mobilizador social do Jacarezinho, que integra o grupo Observatório da Cidade Integrada, ao Jornal Extra.

Numa quinta-feira, 6 de maio de 2021, a Polícia Civil do Estado realizou uma operação na favela do Jacarezinho, localizada na zona norte da cidade – com o uso de equipamentos de guerra: caveirões, fuzis e helicópteros.

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