No Rio, três mil pessoas procuram postos de atendimento num único dia para se inscrever ou atualizar dados no CadÚnico

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Em um único dia, mais de três mil pessoas se inscreveram no cadastro de programas sociais do governo federal, o CadÚnico, somente na capital fluminense. Os cadastramentos foram feitos em 47 Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) da Prefeitura do Rio, na última terça-feira (dia 16) — véspera do início do pagamento do Auxílio Brasil —, o que foi considerado um recorde de atendimentos.

Segundo a Secretaria Municipal de Assistência Social, por mês são realizadas 20 mil inscrições no CadÚnico, considerando todos os postos de atendimento da capital. Mas, somente na terça-feira, o volume de cadastramentos chegou a 15% do total mensal.

Nesta quarta-feira (dia 17), houve um mutirão de atendimento em Santa Cruz, na Zona Oeste da cidade, na tentativa de reduzir as filas nos CRAS da região. Segundo o município, o programa Assistência em Movimento atendeu 304 pessoas ao longo do dia: 246 atendimentos foram para inscrições ou atualizações no CadÚnico e 148 para obtenção de documentação civil. Ao todo, foram criados 176 cadastros. Outros 70 atendimentos foram para atualizações de dados no sistema.

Novo horário de atendimento

Os CRAS passaram a abrir às 6h45, com equipes volantes de apoio nas unidades muito procuradas. De acordo com a Prefeitura do Rio, as pessoas com atendimentos já agendados serão sendo chamadas, quando possível, para adiantarem as inscrições ou realizarem atualizações no cadastro.

Segundo a Secretaria de Assistência Social. no Rio existem 610.889 famílias inscritas no CadÚnico, das quais 303.875 estão com dados desatualizados. Destas, 303.654 famílias tinham direito ao Bolsa Família, mas 156.629 estavam com os dados desatualizados.

Novo Auxílio Brasil

A corrida aos postos se deve ao medo da população de não receber o novo Auxílio Brasil, por ausência de inscrição no CadÚnico ou por falta de atualização de dados nos últimos dois anos. Segundo o Ministério da Cidadania, as 14,5 milhões de pessoas que já recebiam o Bolsa Família — extinto após 18 anos — estão automaticamente na lista de beneficiários do novo programa.

Os que estão se inscrevendo somente agora terão que aguardar novas inclusões do governo federal no programa social, o que não tem data certa para acontecer. A União afirma que o procedimento será gradual, mas sem dar detalhes de como e quando isso vai ocorrer.

O Ministério da Cidadania já informou que a perspectiva era ter 17 mil familias beneficiadas pelo Auxílio Brasil até dezembro deste ano. Mas o crescimento da base de beneficiários depende de recursos, ou seja, de fonte de custeio. Não há, portanto, nenhuma garantia sobre essas novas inclusões.

Valores pagos e a pagar

Além disso, os R$ 400 prometidos pelo presidente Jair Bolsonaro a todos os beneficiários do Auxílio Brasil ainda não estão garantidos. O pagamento desse montante depende da aprovação da PEC dos Precatórios pelo Congresso Nacional.

Essa proposta permitirá ao governo usar o dinheiro — que deveria ser destinado ao pagamento de ações contra a União ganhas por cidadãos na Justiça — para o novo programa social. Mas a matéria ainda depende de aprovação do Senado.

Por enquanto, a promessa é de pagamento de um valor médio de R$ 224,41 (em novembro). Antes, os cálculos davam conta de que a média seria de R$ 217. Segundo o Ministério da Cidadania, o último pagamento do Bolsa Família teve uma média de R$ 186,68 (antes, calculava-se R$ 189).

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