No ritmo de hoje, aquecimento global deve causar muitas noites de insônia até 2099, diz estudo

(Photo: E+)
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Nick Obradovich não podia dormir. Era outubro de 2015, e uma surpreendente onda de calor elevou os termômetros de San Diego em 10 graus Celsius acima da média. O ar condicionado da janela de sua sala não era potente o suficiente para esfriar o quarto. Então o pesquisador de impacto climático se debruçou sobre seus lençóis com a ideia fixa de que o aquecimento global poderia indicar muitas noites como aquela.

Acontece que pode ser o caso. O aumento das temperaturas à noite corresponde a um maior número de relatos de noites agitadas e com poucas horas de sono, segundo um estudo de Obradovich publicado em maio na revista Science Advances.

"O sono humano depende da temperatura ambiente para sua regulação", disse o pesquisador ao HuffPost. Obradovich cursa atualmente um pós-doutorado na Escola de Governo John F. Kennedy, da Universidade Harvard. "Quando a temperatura ambiente é excepcionalmente quente quando não deve ser, isso pode indicar interferências nos padrões de sono."

Para testar sua teoria, ele e três outros pesquisadores compararam as respostas de 765 mil pessoas nos Estados Unidos que responderam a perguntas dos Centros para o Controle e Prevenção de Doenças entre 2002 e 2011 para dados locais do clima. Em noites mais quentes do que o normal, mais pessoas disseram que tiveram mais dificuldade para adormecer ou permanecer dormindo.

É um mau presságio: estimativas apontam que as temperaturas podem subir quase 5 graus Celsius acima dos níveis pré-industriais até o fim do século, à medida que os combustíveis fósseis, fazendas industriais e desmatamento emitem mais gases quentes na atmosfera do planeta. Um aumento dessa magnitude causaria resultados catastróficos, como o derretimento das calotas de gelo e recuo das geleiras. Só o derretimento do gelo antártico poderia elevar os níveis do mar em cerca de 15 metros até 2500, segundo revelado por um estudo divulgado em março de 2016.

A falta de sono está ligada a problemas cardíacos, obesidade e doenças mentais. No curto prazo, a privação do sono prejudica as funções motoras e cognitivas e leva a um comportamento imprudente, por isso faz sentido que o sono de má qualidade afete o desempenho no trabalho. A insônia tem um custo de US$ 411 bilhões para a economia dos EUA devido à perda de produtividade todos os anos, de acordo com um estudo divulgado ano passado pela RAND Corp.

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A mudança climática afeta pessoas de baixa renda desproporcionalmente, já que o crescente nível do mar destrói casas baixas, a poluição piora doenças custosas e as secas tornam alimentos e água mais escassos e mais caros. Agora, acrescente o sono de má qualidade à lista.

"As pessoas mais pobres são mais propensas a sofrer interrupções do sono, provavelmente devido ao fato de que não têm ar condicionado ou, caso tenham, não podem arcar com o custo de usá-lo toda a noite durante o verão", disse Obradovich, que também é pesquisador do Media Lab do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

"Não é apenas o sono", acrescentou "É o sono dentro de um panorama maior de outros fatores que a mudança climática deve impactar."

Obradovich disse que gostaria de replicar o estudo com dados de países mais quentes e pobres próximos à linha do Equador.

"Se tivéssemos dados da Índia ou do Brasil sobre a relação entre noites atipicamente quentes e o sono, poderíamos observar efeitos substancialmente maiores", disse. "Se de fato virmos efeitos maiores naqueles países, seria mais um exemplo de como a mudança climática irá afetar as pessoas em todo mundo."

Reduções agressivas em gases de efeito estufa poderiam limitar o aumento das temperaturas globais. Mas, mesmo com a estabilização das emissões de carbono nos últimos dois anos, um corte mais acentuado parece improvável no curto prazo.

Melhorias nos aparelhos de ar condicionado que tornem a tecnologia mais barata e mais amplamente disponível poderiam ajudar a evitar os efeitos do aquecimento global. Mas o ar condicionado suga muita eletricidade, e o setor de energia — dependente de queima de carvão e gás natural — ainda é o maior emissor de gases de efeito estufa, pelo menos nos Estados Unidos. Então essa solução pode ser o mesmo que alimentar uma cobra faminta com seu rabo.

"O sono é apenas um dos muitos fatores que, em última análise, se combinam dentro de uma ampla perspectiva de bem-estar humano", disse Obradovich. "Considere a temperatura que também pode afetar padrões de exercícios e humor e terá essa cornucópia de fatores que, quando estão todos combinados, [permitem] perceber que o clima realmente afetará o comportamento humano."

Este texto foi originalmente publicado no The World Post e traduzido do inglês.

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