No RJ, Bolsonaro exalta militares e defende ‘drible’ em ‘ecochatos’

Alessandra Saraiva
Bolsonaro durante evento religioso neste sábado, 15 de fevereiro de 2020 (AP Photo/Leo Correa)

Em evento de inauguração de obras de interligação da ponte Rio-Niterói, presidente criticou agências reguladoras e voltou a defender correção menor para pedágios. O presidente Jair Bolsonaro iniciou discurso em cerimônia de inauguração de obras no Rio de Janeiro afirmando ser uma satisfação voltar a seu estado.

O político inaugurou obras da alça de ligação da ponte Rio-Niterói com a linha vermelha, uma das mais importantes vias expressas da cidade. “Essa ponte Rio-Niterói foi decreto de [Artur da] Costa e Silva e inaugurada no governo Médici" afirmou ele em sua fala no evento, citando os nomes de dois presidentes militares que governaram o Brasil durante a ditadura: Artur da Costa e Silva e Emílio Garrastazu Médici.

Em sua fala, o presidente ressaltou a importância de obras para desenvolvimento do país. Ele voltou a falar sobre o potencial turístico da baia de Angra dos Reis, e da Costa Verde, no Rio de Janeiro.

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Ele comentou que, para viabilizar projeto turístico na costa Verde, seria preciso mudanças em lei, visto que as áreas são de preservação ambiental.

Bolsonaro observou que se o Parlamento conseguir driblar "ecochatos", a mudança na lei será possível.

Outro tema citado por ele foi sobre concessões em rodovias. Ele mencionou estar conversando com ministério da infraestrutura sobre pedágios e concessão. A ideia, de acordo com presidente, seria de estudar mudança em correção de pedágio, e colocar nos contratos. Para o presidente, a correção no preço do pedágio poderia ser apenas 90% de IPCA e não 100% - ou seja, não corrigir toda a inflação do período de concessão.

Em sua fala no evento, o presidente criticou duramente o trabalho das agências reguladoras. Além de insinuar que o trabalho da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) poderia facilitar acesso e uso de maconha, o presidente afirmou que "um governador" queria colocar "um energúmeno" como conselheiro de agência.

Em fevereiro, o governador do estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC) pediu para retirar sua indicação para conselheiro na Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico (Agenersa). O indicado, Bernardo Sarreta, teve nome rejeitado em sabatina, quando informou nunca ter lido livro nenhum sobre regulação.

Witzel não estava presente hoje na cerimônia de inauguração de obras no Rio de Janeiro.

Ao encerrar sua fala no evento, Bolsonaro elogiou realizações de governos militares. E afirmou que várias obras importantes de infraestrutura, no país, não existiriam sem governos militares.

“Priorizamos hoje entregar obras em andamento”, afirmou ele. “Nosso governo faz com sacrifício o melhor para todos no Brasil”, afirmou acrescentando ainda que o evento de hoje trouxe satisfação inaugurar obra que começou no governo Costa e Silva.