No Whatsapp, Bolsonaro se disse “puto da vida” com cancelamento de protestos ante risco de coronavírus

Sergio LIMA / AFP via Getty Images

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Em conversa com um aliado, Bolsonaro se mostrou irritado com possibilidade de o coronavírus desmobilizar manifestações de apoio a seu governo no último dia 15.

  • Presidente chegou a contestar uma deputada da bancada do Rio de Janeiro que divulgou em rede social a decisão de adiar convocação para manifestações nas ruas.

Em uma conversa com um aliado pelo WhatsApp, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) demonstrou irritação pela possibilidade de a pandemia de coronavírus desmobilizar as manifestações de apoio ao seu governo no último dia 15 de março.

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Segundo reportagem da revista Época, Bolsonaro disse estar “Puto da vida” com a possibilidade, embora, três dias antes dos protestos, tenha sugerido, em cadeia nacional, que os atos devessem, “diante dos fatos recentes, ser repensados”, pois a saúde deveria ser “preservada”.

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De acordo com a revista, o uso do verbo “repensar” não fora pronunciada inadvertidamente, já que o presidente teria optado por um termo menos contundente a fim de não cancelar as manifestações em sua homenagem.

Ele se mostrou irritado depois de perceber, nas redes sociais, sinais de desmobilização, sobretudo por parte da bancada de deputados do Rio de Janeiro. Um dos alvos de suas mensagens foi a deputada estadual Alana Passos (PSL-RJ), que divulgou em seu Instagram que a convocação para as ruas seria “adiada” após o pronunciamento do presidente. Vendo a postagem, Bolsonaro irritou-se e rapidamente enviou mensagens tentando reverter a situação. Bolsonaro temia uma desidratação total do evento.

Em função do quadro, imediatamente cobrou explicações da bancada fluminense e designou o senador Flávio Bolsonaro de questionar os desertores, o que foi cumprido no dia seguinte aos protestos. Mesmo diante dos apelos do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, para que, em todo o país, houvesse distanciamento social, Flávio se reuniu com os parlamentares no Rio.

Na busca por impedir o total fracasso no dia 15, face o risco sanitário apresentado pelo novo coronavírus, e diante da pressão de Jair Bolsonaro, integrantes do chamado “gabinete do ódio”, formado por auxiliares de Carlos Bolsonaro — parte deles, com cargo no Palácio do Planalto — passaram o fim de semana distribuindo no WhatsApp e nas redes sociais convocações para as ruas. Um levantamento das redes feito por um grupo de deputados federais e enviado à revista apontou mais de 700 mil disparos feitos no dia 14.

Agora, os parlamentares apresentarão requerimentos à CPMI das Fake News para que a comissão apure se a origem das mensagens tem alguma relação com o entorno presidencial, como já se descobriu em requerimentos passados, em que uma conta nas redes sociais investigada por disparar mensagens de ódio tem como origem um IP do gabinete do deputado Eduardo Bolsonaro.

O Galaxy Note que é aparelho celular do presidente Jair Bolsonaro opera como uma espécie de central de informações verdadeiras e falsas sobre aliados, desafetos e mazelas do país. O teor de sua comunicação privada ganhou o interesse público depois que o presidente enviou a um grupo de amigos uma convocação para as manifestações do dia 15 de março, as quais outros Poderes eram mirados como alvo, em um ato classificado como antidemocrático.

No dia seguinte a essa revelação, seu número acabou sendo trocado. Como medida de segurança, Bolsonaro não voltou para todas as dezenas de grupos dos quais fazia parte — a maioria composto de correligionários, aliados políticos e apoiadores civis e militares. Isso, no entanto, não impediu que continuasse disparando mensagens a seus contatos.

O Ministério da Saúde atualizou os números na tarde dessa sexta (20), informando que o país tem 904 casos de Covid-19, com dados atualizados até às 16h. A pasta comandada pelo ministro Luiz Henrique Mandetta também contabiliza 11 mortes no país.