No WhatsApp, caso Jefferson e ataque ao TSE deixam Lula e Bolsonaro em segundo plano nas discussões

Na última semana de campanha, os candidatos a presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL), protagonistas do pleito, ficaram em segundo plano em grupos públicos de WhatsApp, de acordo com um levantamento da pesquisadora do Centro de Administração e Políticas Públicas do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ULisboa) Andressa Costa. As citações aos presidenciáveis, que costumam ser predominantemente negativas, diminuíram bruscamente em 15 mil grupos monitorados.

A redução é explicada pelo fato de que as atenções se voltaram para o caso do ex-deputado Roberto Jefferson, preso esta semana, e para as investidas de bolsonaristas contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) após alegações, sem provas, de que inserções de rádio da campanha de Bolsonaro teriam sido suprimidas. Antes dos dois episódios, as menções a Lula e Bolsonaro ultrapassaram a marca de 2.500 mensagens a cada 100 mil envios. Na quinta-feira, o petista foi citado em 1,2 mil, e o atual presidente em apenas 209. Os picos de menções a ambos ocorreram em 16 de outubro.

A cientista política Andressa Costa explica que o foco da semana foi o Judiciário, alvo de ataques por parte de bolsonaristas. Ela lembra que, no primeiro turno, também houve aumento de conteúdos com alegações de fraude e que miravam a Justiça Eleitoral às vésperas do pleito, mas que a narrativa perdeu espaço no início do segundo turno para ataques a Lula, especialmente no campo moral.

— Os ataques continuam, mas como pano de fundo. Na reta final, não são o foco principal. Também não houve novidade em relação aos dois candidatos. O Judiciário e a legitimidade da eleição em si se tornaram o foco — analisa Costa.

Grupos de Telegram

O Telegram terá que remover dois grupos do aplicativo de troca de mensagens após determinação do presidente do TSE, ministro Alexandre de Moraes. Segundo a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação da Corte Eleitoral, os grupos são usados para “propagação de afirmações falsas, mensagens preconceituosas e intimidatórias, assim como para a apologia a atos criminosos e violência política nas eleições em andamento”. Na decisão, Moraes apontou prática de atos criminosos e atentatórios contra o Estado democrático de Direito e estabeleceu a retirada sob pena de multa de R$100 mil por hora de descumprimento, informou o g1.