Nome de Bolsonaro em Santos culpa campanha desigual por derrota

KLAUS RICHMOND
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SANTOS, SP (FOLHAPRESS) - O desembargador aposentado Ivan Sartori (PSD), 63, encabeçou no último domingo (15) uma fila de candidatos a prefeito, chancelados pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que sucumbiram nas eleições municipais. Em Santos, a derrota de Sartori aconteceu ainda no primeiro turno com a vitória do tucano Rogério Santos, com 50,58% dos votos válidos, estendendo uma hegemonia do PSDB na cidade, que tem desde 2012 o partido à frente da prefeitura. Ele terminou o pleito em segundo, com 18,33% dos votos. "A eleição foi muito desigual porque o PSDB usou da máquina [pública] descaradamente para fazer campanha. Entrei com uma representação por isso. Presenciamos episódios lamentáveis. Esperava um combate mais limpo", disse à reportagem. A reclamação de Sartori se dá por conta de uma ação de investigação judicial eleitoral que ingressou contra o partido rival, já na reta final de campanha, devido a suposta prática de abuso de poder político e econômico. Na ocasião, apontou possíveis irregularidades como doações de funcionários da prefeitura para a candidatura de Rogério Santos, o que classificou como "rachadinha", além da cessão de carro da cidade para a gravação de programa eleitoral e showmício em um clube particular. A prefeitura negou ter prestado serviços ao candidato, partido ou coligação, seja com bens ou mesmo com a presença de servidores públicos em favor de Rogério Santos Durante toda a campanha, o magistrado fez seguido ataques a administração da cidade e buscou vincular a imagem de Rogério Santos a do governador João Doria. Em uma das últimas investidas, publicou em suas redes sociais uma montagem sobre a imagem do filme "Os Caça Fantasmas", de 1984, com os rostos de Doria, Rogério Santos e Paulo Alexandre Barbosa, prefeito da cidade nos últimos dois mandatos. "Problemas de fantasmas na sua prefeitura? Chame Sartori, o caça fantasma", dizia o candidato, que explicou ter recebido a montagem de apoiadores da campanha. Sartori foi um dos primeiros nomes de candidatos aliados a Bolsonaro nas eleições. Em 24 de setembro, o presidente disse ter reavaliado a ideia de participação nas disputas municipais com apoio em três cidades - Manaus, São Paulo e Santos -, mas ainda sem citar nominalmente quais seriam. Poucos dias depois, falou durante uma transmissão ao vivo que apoiaria Sartori, em Santos, elogiando a atuação como relator do julgamento dos policiais militares do massacre no Carandiru, ocorrido em 1992. No feriado de Finados, quando ficou hospedado no Forte dos Andradas, em Guarujá, gravou um vídeo de 15 segundos ao seu lado. "Estou satisfeito, eu não era conhecido na cidade e tivemos quase 40 mil votos. O apoio do presidente foi fundamental, turbinou a minha campanha. Não acredito que tenha perdido apoio popular, percebo isso nas ruas", explica Sartori, que alcançou 37.321 votos. No último sábado, 14, Sartori ainda buscou apoio em Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, com quem possui relação mais próxima. O deputado federal promoveu uma live ao lado de Bruno Engler (PRTB), candidato a prefeitura em Belo Horizonte, e Julia Zanatta (PL), por Criciúma. Na véspera da eleição, Bolsonaro fez uma lista com cidades, nomes e números de aliados políticos. A postagem mencionou Sartori, mas foi apagada pouco depois. Dos nomes indicados, apenas Mão Santa (DEM), candidato à reeleição em Parnaíba (PI), e Gustavo Nunes (PSL), em Ipatinga, se elegeram. Marcelo Crivella (Republicanos), atual prefeito do Rio de Janeiro, e o capitão Wagner (PROS), em Fortaleza, foram para o segundo turno. Apesar da derrota, o magistrado já pensa em planos futuros, como uma candidatura na eleição de 2022. "Queríamos tirar esqueletos dos armários aqui em Santos, mas pnso em prosseguir, sim, fazer algo pela população. Vamos analisar e, possivelmente, em 2022 posso sair para algum cargo".