Nome em ascensão no funk, Bianca levanta bandeira LGBTQIAP+ e lança música com Jojo Todynho

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Quando a Organização Mundial da Saúde decretou pandemia, em março de 2020, Bianca — simplesmente assim, sem sobrenome — vivia “um momento sublime” na carreira. A música “Tudo no sigilo”, lançada um mês antes, estava estourada nas pistas e nas plataformas digitais, um verdadeiro viral nas redes sociais. Com a adoção do distanciamento social, a cantora, hoje com 20 anos, se viu obrigada a pisar no freio, indo parar no chão de um estúdio em Duque de Caxias. “Vim de uma família humilde e paguei alto para não abrir mão desse sonho. Passei fome e outras necessidades, mas com a esperança de que as coisas iriam melhorar. Preferi esconder a situação da minha mãe. Meu medo era ter de voltar para minha terra”, diz a moça natural de Campos dos Goytacazes, no interior do Rio de Janeiro.

Produtor dos hits “Rainha da favela”, de Ludmilla, e “Loka”, uma colaboração da dupla Simone & Simaria com Anitta, Cabrera é um dos maiores entusiastas de Bianca. “Fiquei surpreso com a boa energia, a garra, a afinação e a facilidade para ser guiada numa gravação. Ela é o tipo de artista que não espera acomodada que o sucesso chegue, não tem tempo ruim”, observa o rapaz.

O próximo passo é a música “Tropa das soltinhas”, com Jojo Todynho e Gabily, que deve chegar ao mercado a tempo do carnaval. “Gostei muito do convite de Bianca, mulheres levantando mulheres. Temos que colocar em prática o empoderamento. Vejo muita gente que fala, mas não faz. Afirma ter empatia pelas outras, mas, na hora do vamos ver, a história não é bem assim”, comenta Jojo.

Queridinha do funk, a fluminense teve seu primeiro contato sério com a música aos 10 anos. Influenciada pela mãe, que fazia parte de um coral, a menina foi dar aquela espiadinha no movimento. Lá, ficou mesmo interessada pela orquestra. Conversou com o maestro, mas o grupo estava praticamente fechado, com donos para quase todos os instrumentos... “No entanto, ainda existia uma vaga para tocar o oboé. Até aquele momento, o objeto era um completo desconhecido para mim. Era de sopro, porém não era uma flauta. Resolvi arriscar”, conta.

O funk surgiu como opção depois de uma temporada como dançarina, ainda em sua cidade natal. A explosão de “Tudo no sigilo” abriu portas para Bianca, que gravou “Pontinho indecente”, com Gabily e MC Rebecca, e “Sem perder a pose”, com Mc Zaac. “Tinha pavor de ser aquela cantora de uma música só. Atualmente, consigo me sustentar com meu trabalho na indústria fonográfica.”

Além da bandeira do batidão, a jovem estrela, que já foi destaque na Billboard americana, carrega as cores do arco-íris. Na última edição do Prêmio Multishow, fez questão de pedir respeito à população LGBTQIAP+ em sua performance no palco principal. “Sou bissexual e estou em uma relação com uma menina. Não fiz para aparecer. Só nós sabemos o que passamos no dia a dia. Não poderia perder essa oportunidade.”

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