Nome de Lula some de lista ucraniana de propagandistas pró-Rússia

*Arquivo* Putin cumprimenta Lula ao recebê-lo no Kremlin durante visita oficial em 2004. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)
*Arquivo* Putin cumprimenta Lula ao recebê-lo no Kremlin durante visita oficial em 2004. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desapareceu de uma relação publicada na internet de personalidades que segundo o governo da Ucrânia colaboram com a "narrativa de propaganda russa".

O órgão responsável pela lista, o Centro para Contenção de Desinformação, não explicou o motivo da retirada, que afetou também outros 2 dos 78 nomes relacionados. Pode ser um problema técnico, dado que os três excluídos estavam listados em sequência e o site agrupa seus acusados justamente em grupos de três em três imagens.

Seja como for, isso ocorreu um dia depois de a relação ser objeto de reportagens da revista virtual britânica UnHerd, da Folha, que destacou o caso de Lula no Brasil, e de outros meios na segunda (25). A lista em si estava online no dia 14 de julho.

O centro foi criado no ano passado no contexto da disputa de versões entre Rússia e Ucrânia, que remonta à chamada Revolução Laranja contra Moscou em Kiev em 2004-2005 e hoje ganha ares dramáticos com a invasão promovida por Vladimir Putin de seu vizinho em fevereiro.

A Folha o questionou, por e-mail, sobre o caso, mas não obteve resposta. Uma checagem com ferramenta de histórico de sites mostra a lista com Lula na segunda e sem ele na terça. Ele era o único ex-chefe de Estado na relação, que conta com políticos, jornalistas, especialistas da academia e comentaristas.

Os outros dois nomes excluídos são do veterano analista de inteligência americano Paul Pillar, que analisa a posição ucraniana no conflito sob uma ótica realista vista em Kiev como pró-Kremlin, e do cientista político sérvio George Vukadinovic, apoiador aberto da Rússia.

A relação era algo caótica e incluía erros, como no caso de Lula. Ele era acusado de ter dito que a Rússia deveria liderar uma nova ordem mundial, o que nunca fez. O petista, nos seus dois mandatos (2003-10), foi um defensor da diplomacia alternativa à comandada pelos EUA, e ajudou a fundação dos Brics, bloco que inclui Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul.

Já a outra afirmação atribuída a Lula estava correta: ele disse que o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, era tão culpado quanto Putin pelo conflito em uma entrevista publicada em maio na revista norte-americana Time.

"Fico vendo o presidente da Ucrânia na televisão como se estivesse festejando, sendo aplaudido em pé por todos os parlamentos, sabe? Esse cara é tão responsável quanto o Putin. Ele é tão responsável quanto o Putin. Porque numa guerra não tem apenas um culpado", disse em março, quando a entrevista foi feita.

Houve diversas críticas a Lula, que rebateu dizendo sempre ter criticado a invasão promovida pelo Kremlin. Sua posição é compartilhada, em linhas gerais, pelo Itamaraty e pelo rival na eleição presidencial de outubro, o titular do cargo, Jair Bolsonaro (PL).

Os EUA, por sua vez, seguem pressionando o Brasil e outros países a adotar uma linha mais dura com Moscou. Os brasileiros condenaram a guerra ao apoiar resolução da ONU, mas por interesses econômicos não compartilham o regime de sanções contra os russos -como fazem aliados do Kremlin do naipe da China e da Índia, mas também alguns adversários.

O secretário de Defesa americano, Lloyd Austin, está em Brasília para um encontro de ministros da Defesa e fará exposição sobre o tema. Na semana passada, Zelenski chavia feito críticas a Bolsonaro pela neutralidade, em entrevista à Rede Globo. O brasileiro disse sustentar sua opinião.

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