Nome por trás da Ayla, a estilista carioca Maria Antonia Chady diz que vende mais do que simples pijamas

Gilberto Júnior

“Está preparado?”, questiona a estilista Maria Antonia Chady nos primeiros segundos da nossa conversa. “Você vai se apaixonar pela história da Ayla”, acrescenta entusiasmada. Aos 23 anos, a carioca pilota desde 2016 uma marca de homewear, que tem na figura do pijama (para circular em qualquer lugar) o seu símbolo maior. Em tempos de quarentena — para quem pode ficar em casa —, ela afirma que as vendas triplicaram, mas não revela números exatos. Para a designer, o importante é que o bom desempenho ajuda na luta contra a Covid-19 de outra forma. “Dez por cento de cada compra (o preço médio é R$ 250) são doados para ONGs que atuam no combate à fome provocada por essa doença. Não vejo sentido em fazer moda sem propósito. Em 2019, não fiquei com um centavo sequer. Tudo que ganhei investi em projetos sociais.”

Doce e firme ao mesmo tempo, Maria Antonia conta que criou a grife — por falta de opções bacanas no mercado — com o apoio financeiro do pai, o empreendedor Mario Chady, do Grupo Trigo (leia-se Spoleto, Koni e Gurumê). “Pedi R$ 30 mil emprestados para produzir a coleção de estreia. Queria ser a dona do meu próprio negócio. Um mês depois do lançamento, paguei a dívida. O evento foi um sucesso; faturei R$ 60 mil. Eu era uma pirralha e minha marca estava realmente vendendo”, comenta a estilista. “Convidei ‘meio Rio de Janeiro’ para esse debute. Brinco que sou uma espécie de vereadora. Fico de bate-papo com as pessoas que esbarro na rua. Sou muito apaixonada por gente.”

O negócio, no entanto, acabou caindo na rotina, e a designer colocou a marca em xeque. “Olhei para a grife e percebi que ela não tinha mais nada a ver comigo. Pensei em desistir”, recorda. Em busca de sua espiritualidade, partiu para uma aldeia indígena no Acre. O encontro com o povo yawanawá a transformou. “Entrei numa ebulição de sentimentos e imaginando outras formas de viver. Percebi, então, que eu poderia usar a grife para comunicar a minha verdade. Hoje, sei que não vendo simplesmente pijama. A peça é a ferramenta para direcionar minha energia e meu amor”, diz a estilista, que há dois anos trouxe para o business a administradora Luciana Lavadores como sua sócia. “Ela foi um dos motivos de eu ter continuado. Nós nos conhecemos numa balada e ficamos amigas. Luciana me ensinou uma lição: juntos, vamos muito mais longe.”

Seguindo o próprio ritmo, Maria Antonia acredita que está colhendo agora o que plantou lá atrás. “Faço a marca do meu jeito. Estou formando uma comunidade, tentando tornar as pessoas melhores. Entendo que esse espaço que ganhei é resultado das minhas ações no passado. O universo trata de devolver o que damos; e em dobro.”