Nomeação de novos gestores põe em risco status de parques nacionais

Renato Grandelle
Flamingos no Parque da Lagoa do Peixe: novo chefe da unidade propôs que local recebesse título de área de proteção ambiental, o que permitiria ocupação humana e atividades produtivas

RIO — Dois parques nacionais que estiveram no centro de polêmicas no ano passado, Lagoa do Peixe (RS) e Campos Gerais (PR), ganharam novos chefes em dezembro. Ambos foram atacados por ruralistas, que reivindicam o direito de manter suas propriedades, ou mesmo a construir empreendimentos dentro do território das unidades de conservação. O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, criticou abertamente as administrações anteriores das localidades. Por isso, ambientalistas temem que a chegada dos novos gestores seja o primeiro passo para fragilizar o status de proteção das unidades, convertendo-as em áreas de proteção ambiental (APAs).

As APAs são unidades que permitem a ocupação humana, propriedades privadas e o uso sustentável de recursos naturais. Nos parques nacionais, por sua vez, todo o território e de domínio público, por isso é proibido habitar ou promover a agropecuária em seu território. A proteção de seus ecossistemas proporciona a formação de pesquisas científicas e de atividades de ecoturismo.

O novo chefe da Lagoa do Peixe, Fabiano José de Souza, apagou posts em uma rede social em que defendia a conversão do parque em APA. Já o tenente-coronel Emerson de Barros Pinheiro, que comandará Campos Gerais, não tem atividades ambientais em seu currículo.