Nomeação de presidente da Funarte é anulada após pegar Regina Duarte de surpresa

Gustavo Maia
·2 minuto de leitura

BRASÍLIA - No mesmo dia em que foi reconduzido para a presidência da Fundação Nacional de Artes (Funarte), o maestro Dante Mantovani, um dos nomes mais controversos da gestão de Roberto Alvim na Secretaria Especial da Cultura, teve a nomeação anulada na noite desta terça-feira. Ele havia sido demitido pela secretária Regina Duarte em março, no mesmo dia em que ela foi empossada como secretária.

Portaria publicada em edição extra do Diário Oficial da União tornou sem efeito a nomeação de Mantovani. Os dois atos foram assinados pelo ministro da Casa Civil, Walter Braga Netto. Regina Duarte não foi avisada da nomeação e ficou surpresa. Ao longo do dia, ela marcou uma reunião com o presidente Jair Bolsonaro para esta quarta-feira.

Na agenda com o presidente, Regina Duarte pretende apresentar seu plano de comunicação para Cultura. A aliados, a secretária diz que pretendia aproveitar a conversa com “seu presidente”, “seu líder", como costuma chamar Bolsonaro, para entender “as razões dele” para nomear novamente Mantovani para a Funarte.

Interlocutores do Planalto associaram seu retorno a uma indicação do vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente, e também a uma retomada de poder da ala ideológica, ligada a Olavo de Carvalho.

A avaliação no Palácio do Planalto é de que Bolsonaro anda incomodado com algumas nomeações de Regina Duarte na Cultura. Porém, aliados do presidente afirmam que ele não estaria disposto a arcar com o desgaste da demissão da ex-atriz global neste momento, após as saídas de dois ministros populares do governo.

Entre as insatisfações apontadas por aliados de Bolsonaro com o trabalho de Regina, estão críticas às políticas de audiovisual e também com algumas nomeações consideradas de profissionais ligados à esquerda. A secretária e sua equipe vêm sendo atacados também nas redes sociais por militantes bolsonaristas.

Na semana passada, o presidente reclamou a jornalistas no Palácio da Alvorada da ausência da secretária em Brasília. Questionado, Bolsonaro afirmou que Regina “estava lá, trabalhando pelo internet" e que gostaria que ela estivesse "mais próxima".

- Infelizmente, a Regina está trabalhando pela internet ali e eu quero que ela esteja mais próxima. Uma excelente pessoa, um bom quadro, é também uma secretaria que era ministério, muita gente de esquerda, pregando ideologia de gênero, essas coisas todas que a sociedade, a massa da população não admite, e ela tem dificuldade nesse sentido - disse Bolsonaro.