Onde estão os funcionários demitidos por Bolsonaro do governo

Confira como estão e o que fazem cinco nomes que já ocuparam o alto escalão do governo Bolsonaro. (Foto: AP Photo/Eraldo Peres)

O Yahoo! Notícias foi descobrir o que têm feito cinco membros do governo Bolsonaro que foram exonerados de seus cargos de janeiro para cá.

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Desde o início do mandato, em janeiro, o alto escalão do governo Bolsonaro passou por diversas reformulações. A primeira demissão aconteceu com pouco mais de um mês de governo.

Saiba onde estão e o que dizem os homens demitidos por Bolsonaro:

Gustavo Bebianno

Gustavo Bebianno

Desde que saiu do governo, Gustavo Bebianno não tem poupado críticas ao governo. Ele tece duras opiniões sobre a interferência dos filhos de Bolsonaro na gestão e sobre o que ele chama de “viés autoritário” do presidente. Em entrevista ao Estadão, o ex-ministro diz que sua exoneração foi a primeira ocasião em que Bolsonaro revelou essa faceta. Ele afirma que o presidente “atira em seus soldados pelas costas”, citando a expulsão do deputado Alexandre Frota do PSL. Bebianno já declarou que pretende se candidatar à prefeitura do Rio de Jairo no ano que vem, e diz ter recebido ofertas do PSDB e do DEM.

Ex-presidente do PSL, ele foi secretário-geral da Presidência da República até o dia 18 de fevereiro. Foi exonerado do cargo após a revelação de que o partido de Bolsonaro teria usado um esquema de candidaturas laranjas durante as eleições de 2018. Quando os rumores da demissão começaram, Bebianno alegou ter conversado por WhatsApp com Jair Bolsonaro, que teria negado a possibilidade. O vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, negou que as conversas aconteceram e o chamou de mentiroso no Twitter. A postagem foi compartilhada pelo perfil de Jair Bolsonaro. No dia seguinte à demissão, a revista Veja publicou áudios em que Bebianno conversa com o presidente sobre a crise, desmentindo a versão de Bolsonaro e do filho.

Ricardo Vélez Rodriguez

Ricardo Vélez Rodriguez

O colombiano naturalizado brasileiro Ricardo Vélez Rodriguez se mantém fora dos holofotes desde que foi exonerado do comando do MEC, em abril. À revista Época, deu uma breve declaração em julho dizendo que “não quer nem saber” do que acontece na educação brasileira. E acrescentou: “Se não dei entrevista quando era ministro, muito menos agora. Estou descansando”. Em seu blog pessoal, fez apenas uma postagem nos últimos meses: a transcrição de sua palestra no 13º Colóquio "Antero de Quental", na Universidade Federal de Juiz de Fora. Em um trecho, diz não concordar integralmente com o regime militar, defendido por Bolsonaro: “Embora concordasse com a higiene que os militares fizeram na seara da política brasileira tirando os comunas do poder, não concordava com os exageros da repressão, notadamente no que se refere à tortura e à liberdade de expressão.”

Vélez foi exonerado do cargo de ministro da Educação dia 8 de abril, após se envolver em diversas polêmicas. Ele pediu que diretores de escolas filmassem os alunos cantando o hino nacional e citando o lema de campanha de Bolsonaro nas eleições. Em três meses, demitiu 15 funcionários do alto escalão do ministério, inclusive o presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), e disse em entrevista ao jornal Valor Econômico que “não existe universidade para todos”.

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Carlos Alberto dos Santos Cruz

Carlos Alberto dos Santos Cruz

Em junho, no 14º Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), o general da reserva disse não saber os motivos que levaram ao seu desligamento do governo. E arrancou risos da plateia ao fazer piada com o acontecimento: “Como diz o Reginaldo [Rossi], meu caso é mais um, é banal”. No mesmo evento, criticou o desperdício de recursos públicos: “Nestes meus seis meses de governo, o que vi de dinheiro desperdiçado e dinheiro jogado no ralo é impressionante”. Em entrevista à revista Época, chamou o governo Bolsonaro de “show de besteiras”.

Carlos Alberto dos Santos Cruz foi exonerado da Secretaria de Governo no dia 13 de junho, após uma crise entre os setores militar e olavista do governo. Tudo começou com uma série de tweets de Olavo de Carvalho sugerindo que o general não estaria interessado em defender Bolsonaro. As críticas foram endossadas pelo filho do presidente, Carlos Bolsonaro.

Franklimberg de Freitas

Franklimberg de Freitas

Desde que deixou o comando da Funai, o general Franklimberg de Freitas tem trocado farpas com o secretário especial de Assuntos Fundiários do governo, Luiz Antônio Nabhan Garcia. Aos servidores do órgão, disse que o secretário "saliva ódio aos indígenas". Em julho, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, criticou a atuação da bancada ruralista no governo e acusou Nabhan Garcia de prestar informações erradas a Bolsonaro, que teria acreditado nas mentiras e passado a tratar Franklimberg com indiferença. Sobre a Funai, declarou que "o que menos sobra é foco no índio".

Franklimberg Ribeiro de Freitas foi exonerado da presidência da Funai em 12 de junho, sob forte pressão dos ruralistas. "Hoje o futuro da Funai é incerto", afirmou ao Estadão na ocasião.

Joaquim Levy

Joaquim Levy

Desde que pediu demissão do cargo de presidente do BNDES, Joaquim Levy tem evitado dar entrevistas. Em palestra promovida pela FGV, em julho, defendeu o banco estatal: “Bancos de desenvolvimento continuarão sendo importantes. Apesar de estarmos num momento em que o capital é abundante, o capital não chega sempre no lugar onde deveria chegar por imperfeições do mercado. Democratizar o acesso ao crédito é muito importante”. No próximo dia 26, apresentará a palestra "Blockchain e Transformação Digital Pública" no evento BlockTrends, no Rio de Janeiro.

Ele entregou sua carta de demissão ao ministro Paulo Guedes em 16 de junho, após Bolsonaro declarar que estava "por aqui" com Levy. O presidente criticou a escolha de Marcos Barbosa Pinto, que foi assessor do BNDES no governo do PT, para a diretoria de Mercado de Capitais do banco.