'Normal people': série de sucesso baseada em romance da irlandesa Sally Rooney estreia no Brasil

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RIO – No momento em que se tem um debate intenso sobre o chamado novo normal, o sucesso de uma simples e clássica história de amor pode ser a prova de que nem tudo será diferente depois da pandemia.

Fenômeno de audiência no Reino Unido, a série "Normal people" chega ao Brasil nesta quinta-feira (16), pela plataforma de streaming Starzplay. Trata-se de uma fiel adaptação do romance "Pessoas normais", da escritora irlandesa Sally Rooney, lançado por aqui em 2018, pela Companhia das Letras.

Do convívio em um colégio na cidade de Sligo, na Irlanda, à vivência na universidade de Trinity, na capital Dublin, a trama mapeia o tortuoso romance entre Marianne Sheridan e Connell Waldron. Aliás, um dos pontos altos da série é a química entre os protagonistas, vividos pela inglesa Daisy Edgar-Jones e o irlandês Paul Mescal: ela, rica, mas deslocada dentro do ambiente escolar; ele, pobre e muito requisitado nos corredores do colégio.

As curvas de popularidade, porém, se invertem quando os dois ingressam na vida universitária. Já o contraste social se mostra um ingrediente presente em todo fio do roteiro, construído em 12 episódios de 30 minutos.

– O mais bacana da relação entre Marianne e Connell é a ligação que eles têm através do intelecto e visão de mundo, apesar das visíveis diferenças de classe social – diz Daisy. – Afinal, somos todos seres humanos e o amor deve prevalecer sempre.

Talvez a percepção da atriz esteja em sintonia com muita gente. No Reino Unido, "Normal people" foi assistida, em apenas uma semana, por mais de 16 milhões de assinantes pelo iPlayer, serviço de streaming da BBC. Um sucesso que é espelho do desempenho do romance de Sally Rooney, que esteve na lista dos mais vendidos do "New York Times".

Sem efeitos especiais ou intenção de reinventar a roda das narrativas, a série pode ter encontrado justamente em sua despretensão o caminho para cair nas graças do público.

– Hoje, na televisão, há muitas produções mirabolantes e com um investimento técnico impressionante. Acho que fomos justamente no caminho contrário, com foco central no relacionamento de duas pessoas – diz Paul, em seu trabalho de estreia na TV – Esta simplicidade acaba gerando uma sensação de proximidade com quem assiste à série.

Mas, afinal de contas, de quais "pessoas normais" estamos falando? Na TV brasileira, por exemplo, tivemos uma série de muito sucesso chamada "Os normais", com Fernanda Torres e Luiz Fernando Guimarães, e que, definitivamente, não retratava a mesma normalidade vivenciada por Marianne e Connell.

Para Daisy, esta é uma prova de que o grande trunfo da série britânica é justamente nos desiludir na busca por uma definição exata do que é ser normal.

– Vivemos uma época em que as redes sociais filtram nossas vidas a ponto de exibir uma falsa realidade com status de normalidade. E, na série, os protagonistas aprendem que nem sempre serão as melhores versões de si mesmos. E que está tudo bem – diz a atriz – Eles acabam descobrindo que a vida pode ser maravilhosa sem essa eterna busca pelo normal, uma vez que ele não existe.

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