De Norte a Sul: galeria de arte inaugura dois espaços no Rio no mesmo dia

Numa só tacada, uma galeria de arte vai unir a Zona Sul à Zona Norte no mesmo dia. A Nonada vai inaugurar hoje dois espaços na cidade. Um ponto em Copacabana, na Rua Aires Saldanha 24, e outro um galpão industrial na Penha, subúrbio da cidade. A mostra inaugural reunirá pinturas, esculturas, fotografias, poesias e vídeos de 32 artistas de várias cidades brasileiras.

Memória: Livro lançado por bisneta do construtor conta história do Cristo Redentor

Evento: Bienal de Arte Digital no Oi Futuro reflete sobre como seres humanos convivem com a tecnologia

Em Copacabana, em um espaço de 70 metros quadrados —próximo à Rua Bolívar, área boêmia, e ao futuro Museu da Imagem do Som —, estarão obras com um teor maior de crítica política e social. Hoje, entra em cartaz por lá a mostra “A palavra: prosa”. A inauguração será das 10h às 14h.

Na Penha, a Nonada Zona Norte vai ocupar uma área de mais de 200 metros quadrados e 4,5 metros de altura. Por lá, os trabalhos serão mais líricos. O evento de abertura vai acontecer hoje, entre 15h às 19h, na Rua Conde de Agrolongo 677.

A Nonada é resultado da formação de um quarteto. Paulo Azeco e João Paulo Balsini se juntaram aos irmãos Ludwig e Luiz Danielian, donos da Danielian Galeria, na Gávea.

— Há uma qualidade impressionante de trabalhos feitos por artistas que não têm tanto acesso ao circuito de galerias e trazem temas atuais, entre eles questões políticas, sociais, de racismo e de gênero. Queremos apresentar de forma plural novos talentos, visões e forças criativas — comenta Azeco.

Por um ano, os quatro sócios pesquisaram artistas e seus trabalhos.

— Não queremos levantar bandeiras, rótulos, mas sim valorizar a arte boa, que independe de estereótipos. Queremos ter esta proposta de galeria em Copacabana, bairro popular, e no subúrbio, na periferia do circuito de arte, para que se leve excelentes trabalhos a todos. Pretendemos promover discussões livres, contemporâneas, abertas, sem julgamentos prévios —afirma Ludwig Danielian.

Nonada é a palavra que abre uma das obras fundamentais da literatura brasileira, “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, “um neologismo criado para representar o não lugar ou a negação de existência”, escrevem os sócios no texto de apresentação do novo espaço de arte.

"Nonada é um lugar híbrido: pesquisa, acolhe, expõe e dialoga. Deixa de ser nada e passa a ser essência por acreditar que o mundo precisa de arte, e que a arte por si só já é lugar. Parte da ideia do não-lugar para ilustrar uma visão que, ao se afastar de rótulos, amplia diálogos, se norteando pela pesquisa,o debate e a importância da curadoria. A galeria de arte enquanto agente promotor de encontros e descobertas com anseio pela experimentação", acrescenta o texto.