Nos EUA, refugiados afegãos se sentem a salvo, mas desesperados

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"Minhas duas filhas estão no Afeganistão e eu....", Shima interrompe o relato, sem conseguir conter as lágrimas. Assim como dezenas de outros civis afegãos, ela agora está a salvo nos Estados Unidos, mas desesperada por ter deixado as filhas na Cabul sob controle dos talibãs.

"Minhas filhas estão no Afeganistão e eu estou nos Estados Unidos", repete a mulher de 30 anos, que chegou nesta segunda-feira (23) ao aeroporto de Dulles, perto de Washington, com o marido.

"Quem vive? Quem vive? Estou morta, morta. Estou morta", diz, inconsolável.

Ela mostra no celular uma foto das duas meninas de 6 e 10 anos, antes de embarcar em um ônibus que a levaria juntamente com o marido a um centro de acolhida próximo do aeroporto.

Desde a meia-noite, dezenas de civis evacuados do Afeganistão, desacompanhados ou com suas famílias, aterrissaram perto da capital americana como parte de uma ponte aérea global.

Em Cabul, civis que querem fugir do país - americanos, afegãos que trabalharam para o exército, no governo ou com forças estrangeiras - acabam de viver uma semana de caos e medo, bloqueados entre os postos de controle dos talibãs e a cerca de arame farpado instalada pelo exército americano no aeroporto antes de ser finalmente retirados do país por avião.

"No aeroporto era bastante perigoso", conta à AFP Jan, residente americano que tinha viajado ao Afeganistão para ver a família.

"Tinha muita gente, todos tentavam sair do país por motivos diferentes porque queriam estar a salvo", diz esta jovem de 21 anos.

Os talibãs garantiram que não vão tentar se vingar de ex-inimigos, mas segundo um grupo de especialistas que trabalha para a ONU os novos senhores de Cabul têm "listas prioritárias" de afegãos procurados.

- "Sentir-se seguras" -

Romal Haiderzada, de 27 anos, é um destes civis que temeu por sua vida.

"Trabalhamos com soldados americanos em (a base em) Bagram, por isso não nos sentimos seguros" no Afeganistão, explica.

Com um visto especial de imigração (SIV) nas mãos, pousou no aeroporto de Dulles após passar por bases americanas no Catar e depois na Alemanha.

Ele agradeceu ao governo dos Estados Unidos por "encontrar soluções para as pessoas que tinham problemas e fazê-las sentir-se melhor, sentir-se seguras".

Em sua chegada, os refugiados são levados a centros de alojamento ou bases militares até a conclusão dos procedimentos de imigração e que se submetam a exames médicos.

Então, poderão, com o apoio de organizações de ajuda aos migrantes, se estabelecer nos Estados Unidos.

Nas 12 horas prévias às 15h locais (16h de Brasília), cerca de 10.900 pessoas tinham sido evacuadas do aeroporto internacional de Cabul, disse um funcionário da Casa Branca quando se intensificaram as operações à medida que se aproxima a data limite de 31 de agosto.

O número de pessoas retiradas do Afeganistão desde julho em voos americanos chegou a cerca de 53.000, dos quais 48.000 desde que os voos se intensificaram em 14 de agosto

O Pentágono enfatizou nesta segunda que o objetivo continua sendo a retirada de todas as forças americanas de Cabul antes de 31 de agosto, embora o presidente Joe Biden tenha deixado em aberto no domingo a possibilidade de prorrogar a presença militar do país para além desta data.

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