Nos porões de Nagorno Karabakh, a covid-19 prolifera entre os moradores

Emmanuel PEUCHOT
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Refugiados em Nagorno Karabakh
Refugiados em Nagorno Karabakh

Promiscuidade, falta de ventilação, sem máscaras: nos porões de Stepanakert, a capital de Nagorno Karabakh em guerra com o Azerbaijão, os poucos habitantes que ainda permanecem na cidade estão a salvo dos bombardeios, mas a covid-19 prolifera por lá.

No porão de um prédio modesto de três andares, como muitos na cidade, vários porões foram habilitados para proteger as pessoas dos bombardeios regulares, como o que ocorreu novamente na noite de sexta-feira. A maioria dos 60.000 habitantes fugiu. 

O porão maior, de cerca de 50 metros quadrados e 1,76 metros de altura, serve como dormitório. Cerca de dez colchões com cobertores foram colocados sobre bancos de pedra construídos contra as paredes. O chão de terra está coberto com caixas de papelão.

Lusine Tovmasyan, de 44 anos, dirigia um laboratório de análise médica em Stepanakert antes da guerra. 

Desde o início do conflito até o final de setembro, ela trabalhou para as autoridades de saúde e realizava testes de covid-19 no hospital central ou entre moradores que não podem se deslocar. 

Na manhã de ontem, recorreu ao edifício para examinar duas mulheres, de 63 e 76 anos, suspeitas de estarem infectadas. 

A mulher de 76 anos espera sentada em uma cadeira no meio do porão.

Tosse e geme quando Tovmasyan aplica o swab por seu nariz e depois pela garganta. O mesmo processo e os mesmos efeitos ocorrem com a de 60 anos.

Com um xale sobre os ombros, ela balança o busto para frente e para trás, murmura algumas palavras com uma voz fraca e seu rosto faz uma careta.

- "Alta taxa de infecção" -

"Fazemos uma média de 60 testes ao dia. A taxa de contágio é bastante alta", principalmente porque "as pessoas vivem em grupos nos porões, sem máscaras", explica à AFP Lusine Tovmasyan, a única que tem o rosto protegido entre a meia dúzia de mulheres presentes no porão. 

"Entre 40 e 60% das pessoas examinadas dão positivo, depende do dia", suspira.

Os testes são enviados para Yrevan, a capital da Armênia, a cerca de 4 horas de carro. 

"Fazemos listas dos que dão positivo no teste e das pessoas que tiveram contato com eles", explica. 

"Na clínica de doenças infecciosas, perto do hospital central, não fazemos nenhum teste, mas recebemos pacientes que apresentam os sintomas da covid", continua.

Em uma sala de cuidados, as enfermeiras estão ocupadas atendendo três homens sentados e com máscaras. 

Samvel Galstyan, de 62 anos, não sabe se tem covid, simplesmente está com "febre alta" e por isso veio.

"Faz frio no porão. Você deita na cama e levanta sem trocar de roupa. Não pode ficar lá, assim que entra e sai com frequência. Quente, frio, quente, frio ... e aqui estou", disse. 

Segundo uma estimativa de Raya Simonyan, de 63 anos, médica do hospital central e responsável por esta sala de cuidados, "90% dos habitantes" ainda presentes em Stepanakert têm covid-19, embora destaque que não tem números oficiais. 

"A situação é muito preocupante (...). A maioria dos moradores estão doentes", acrescenta. 

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