Nos quatro primeiros meses de 2021, morreram 64% a mais de pessoas que o esperado no Brasil

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SAO PAULO, BRAZIL - MAY 19: A cemetery worker in a protective suit digs a grave shortly before the bodies of a number of COVID-19 victims arrived to be buried at the Vila Formosa cemetery amid the COVID-19 pandemic on May 19, 2021 in Sao Paulo, Brazil. Out of 57 burials at the cemetery today, 23 were due to COVID-19. Health experts are warning that Brazil should brace for a new surge of COVID-19 amid a slow vaccine rollout and relaxed restrictions. The state of Sao Paulo has registered over 3 million cases of COVID-19 and more than 100,000 deaths. Over 440,000 people have been killed in Brazil by COVID-19, second only to the U.S. (Photo by Mario Tama/Getty Images)
Foto: Mario Tama/Getty Images
  • Dados são do Conselho Nacional de Secretários de Saúde

  • Estudo leva em consideração apenas mortes naturais, que não envolvem acidentes ou violência

  • Pandemia de coronavírus pode ser uma das explicações para excesso de mortalidade

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) divulgou nesta segunda-feira (31) um novo levantamento que revela que houve no Brasil, entre janeiro e abril de 2021, 64% a mais de mortes por causas naturais que o esperado.

O levantamento foi feito pela Vital Strategies, uma organização global de saúde, em parceria com a Conass, no Painel de Análise do Excesso de Mortalidade por Causas Naturais no Brasil. O estudorevela que morreram 211.847 pessoas a mais que o esperado no período analisado - 1º de janeiro e 17 de abril de 2021.

O estudo considera apenas as mortes por causas naturais, dentre elas por doenças, o que inclui a Covid-19. As mortes que não são contabilizadas são as causadas por acidentes ou violência, por exemplo.

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São 64% a mais de mortos que o esperado, uma taxa de excesso de mortalidade muito alta. Para que se possa comparar, o excesso de mortalidade em 2020 chegou a 22%, segundo o Conass. Em números absolutos, foram 275.587 mortes a mais do que o esperado.

Dentre as justificativas para os resultados, está a pandemia de coronavírus.

“Esta comparação dá uma dimensão do enorme impacto da epidemia de Covid-19 no país, já nos primeiros meses de 2021”, afirmou o assessor técnico do Conass, Fernando Avendanho em nota.

Os números foram comparados com os dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, de 2015 a 2019.

O levantamento também trouxe dados sobre os perfis das mortes. O excesso se apresentou maior entre pessoas com até 59 anos, com 84% a mais de óbitos que o esperado. A partir dos 60 anos, foi 58% a mais. Entre homens e mulheres, eles tiveram um número de mortes 68% maior, enquanto elas tiveram de 61%.

Em relação à região do país, o Sudeste teve a maior taxa de excesso de mortalidade, de 46%, seguido pelo Nordeste, com 19%, Sul com 18%, Centro-Oeste com 9% e Norte, com 8% a mais de óbitos que o esperado.

No entanto, o estado com maior diferença entre o número de óbitos esperado e o registrado foi o Amazonas, com uma diferença de 173%. O Amazonas foi um dos estados mais atingidos pela pandemia de Covid-19.