'Nossa democracia e a vida das mulheres estão em risco', diz Daniela Mercury

A cantora falou sobre sua adesão à campanha #Elenão (Reprodução/ Instagram/ @danielamercury)

Daniela Mercury acaba de lançar o clipe-protesto “Samba Presidente”, uma especie de manifesto político que mostra a drag queen Petra Peron no papel da cantora, e coloca o povo no comando do país. Em entrevista ao site “Glamurama”, a baiana falou sobre o impacto que espera que o vídeo possa ter ao ser lançado 15 dias antes das eleições presidenciais.

“Como sempre, buscamos traduzir sonho, desejo e expectativa. Para artistas que gostam de dialogar com seu tempo, de buscar dificuldades e profundidade, há sempre o que falar. ‘Samba Presidente’ é uma referência ao ‘Samba da Minha Terra’, de Dorival Caymmi – Quem não gosta do samba bom sujeito não é/Ou é ruim da cabeça ou doente do pé. Minha adolescência foi na ditadura e o samba, nosso manifesto maior, havia sumido. Sempre foi marginalizado, considerado música das minorias. Nos anos 1970 discos foram recolhidos… O samba foi muito censurado. Em 1992, Beth Carvalho me abraçou chorando durante um show que fiz no Canecão e disse: ‘Você devolveu o samba aos pés do Brasil’. Quando compus ‘Samba do Presidente’, há um ano, percebia um ambiente confuso no que diz respeito às opiniões que as pessoas têm sobre o país. Independente de política partidária, falo de ideologias que nos regem. Sou embaixadora da Unicef há 22 anos, filha de assistente social… sempre fui porta voz do meu povo“, explicou Daniela Mercury.

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A cantora também falou sobre sua adesão ao movimento #Elenão, contra a candidatura do presidenciável Jair Bolsonaro. “Vivemos em um país democrático e eu como mulher casada com uma mulher, se não me sinto respeitada por qualquer candidato, é obvio que tenho o direito de me manifestar. É um direito meu de liberdade de expressão. Uso minhas redes sociais para me manifestar sobre vários assuntos. Um candidato que para mim não deveria nem estar concorrendo, pela forma que se manifesta, contra os negros, contra as mulheres e contra os gays, que diz o que diz, não condiz com a realidade de um país livre e democrático. É uma ofensa às pessoas. Para mim isso já seria o bastante para que ele fosse inelegível. Essa é a primeira vez na minha vida que me manifesto contra um candidato. A situação é gravíssima e acho que isso é necessário. Nossa democracia e a vida das mulheres estão em risco. Somos o país que mais mata travestis e transexuais no mundo. Temos um histórico de totalitarismo que ainda estamos vencendo, aprendendo a viver com a diversidade, e eleger um candidato que apoia tudo isso seria um retrocesso imenso”, afirmou Daniela Mercury.