CEO da Lenscope fala sobre democratizar acesso a deficientes visuais

Makoto Ikegame, CEO e fundador da Lenscope, plataforma pioneira na venda de lentes para óculos pela internet, criou a empresa com um objetivo principal: democratizar o acesso de pessoas com problemas de visão a produtos de qualidade. “No processo, percebi que o grande desafio de saúde da visão não estava em oferecer armações mais bonitas, mais estilosas ou diferentes. O desafio do setor está em fazer as pessoas enxergarem”, conta.

O executivo destaca que os métodos utilizados para transformar uma receita em um óculos são os mesmos que eram usados no final do século XIX, e foi aí que ele encontrou uma brecha para fazer o negócio prosperar. “Havia um espaço para usar a tecnologia para transformar todo esse processo, para repensar essa experiência e trazer para o mundo moderno, tornando-a mais acessível para as pessoas".

Para recomendar as melhores soluções ópticas para quem utiliza a plataforma, a Lenscope faz uso de tecnologias como Inteligência Artificial, Visão Computacional e Machine Learning. “As nossas tecnologias permitem que a gente faça treinamentos de modelos que vão aprender preferências, identificar padrões e fazer recomendações aos usuários", explica Ikegame. Além disso, a healthtech também utiliza tecnologia para “ler” o rosto do cliente e oferecer recomendações do ponto de vista estético.

Um dos diferenciais da plataforma, de acordo com o executivo, é que o usuário não precisa comprar as armações disponíveis na Lenscope para ter acesso às lentes oferecidas pela healthtech. “A gente pega a armação que você quiser, comprada aonde você quiser, e coloca as lentes. Isso permite que a gente ofereça lentes com uma qualidade muito maior, menos espessas, mais resistentes, com todos os tratamentos inclusos e sem cobrar extra por eles", afirma.

"A indústria óptica tem várias tecnologias que normalmente estão embarcadas em hardware. A gente consegue trazer essa experiência para qualquer device conectado com a internet”, finaliza Ikegame.

Desafio é fazer as pessoas enxergarem, diz CEO da Lenscope. Foto: Getty Images.
Desafio é fazer as pessoas enxergarem, diz CEO da Lenscope. Foto: Getty Images.

Mercado de saúde da visão

Segundo a OMS, cerca de 2,2 bilhões de pessoas possuem alguma deficiência visual. No Brasil, mais de 35 milhões de pessoas têm algum problema de visão, de acordo com o IBGE. O número representa 19% da população do país. Não à toa, o mercado de saúde da visão fatura mais de R$ 22 bilhões ao ano no mundo.

O segmento foi um dos mais prejudicados durante a pandemia. O período em que o comércio sofreu com a COVID-19 impulsionou a transformação digital do setor. Relatório divulgado pela Abióptica aponta que 43% das óticas brasileiras afirmaram adaptar o modelo de atendimento presencial para o online. Pesquisa da Grand View Research já projeta um crescimento no mercado: 8,1% por ano até 2027.