Notícia sobre usina nuclear em Itacuruba, Pernambuco, é novo golpe em população marcada pela depressão

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ITACURUBA — Itacuruba costumava ser uma profusão de ilhas fluviais espalhadas em uma das áreas mais férteis do sertão, bem onde o Rio Pajeú “vai despejar no São Francisco”, como na canção de Luiz Gonzaga. No solo lavado pelos rios, durante séculos, plantou-se e colheu-se de tudo.

— Eu achava lindo, quando o dia amanhecia, ouvir o pessoal cantando, e as pancadas dos remos nas canoas, levadas pelo vento — diz o agricultor Edson João, de 59 anos, acrescentando a estas memórias mais um pouco da rotina sertaneja. — E tinha a fumaça do povo cozinhando subindo das casas. Em todo lugar que você chegava, era recebido com um baião de dois ou um peixe assado.

Suicídios acima da média

Foi-se esse tempo. Em 2007, um levantamento do Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) alertava que 63% dos moradores sofriam de depressão, e que o número de suicídios chegava a ser seis vezes maior que a média nacional. Itacuruba entristecia e minguava a olhos vistos. De 15 mil habitantes em 1988, viu a população cair até os atuais 5 mil moradores. No mesmo período, a população brasileira cresceu quase 50%.

O pano de fundo dessa melancolia coletiva foi o reassentamento da população, ainda em 1988, para dar lugar a uma barragem da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), que inundou as ruas, casas e ilhas. A nova Itacuruba precisou ser erguida do zero, a 10 km do São Francisco e a 11 km da BR mais próxima, em solo seco e pedregoso. Desde então, costumou-se dizer que ninguém passa por Itacuruba, é preciso querer ir lá.

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