Notícias da Semana: a primeira reforma ministerial de Bolsonaro e o fim de um março cheio de mortes

Pressionado, Bolsonaro oficializa reforma ministerial com trocas em seis pastas

Pressionado pelo Congresso, o presidente Jair Bolsonaro fez nesta segunda-feira a sua primeira reforma ministerial após mais de dois anos de governo. De uma única vez, fez seis mudanças em alguns dos seus principais ministérios e sacramentou a entrada do Centrão no Palácio do Planalto.

Em nota, a Presidência da República confirmou a nomeação da deputada Flávia Arruda (PL-DF) na Secretaria de Governo, responsável pela articulação política. Ela substitui Luiz Eduardo Ramos, que será transferido para a Casa Civil. Com a troca, Walter Braga Netto irá para o Ministério da Defesa.

Além disso, o delegado da Polícia Federal Anderson Gustavo Torrer assume o Ministério da Justiça e Segurança Púbica. Assim, André Mendonça vai para a Advocacia-Geral da União.

Em outra troca, o embaixador Carlos Alberto Franco França assumirá o comando do Ministério de Relações Exteriores.

Anvisa autoriza uso emergencial da vacina da Janssen contra a Covid-19

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta quarta-feira (31), o uso emergencial da vacina contra a Covid-19 da farmacêutica Janssen, empresa do grupo Johnson & Johnson. Com a decisão, a vacina de uma dose pode agora ser aplicada na população brasileira.

Por unanimidade, os cinco membros da Diretoria Colegiada se manifestaram a favor do uso temporário do imunizante, garantindo assim a liberação do uso emergencial — eram necessários, ao menos, três votos favoráveis para liberar a vacina.

A entrega de 38 milhões de doses do imunizante, que faz parte do Plano Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde, deve começar em julho. Até setembro, devem ser entregues 16,9 milhões de doses. Em seguida, de outubro a dezembro, são esperadas mais 21,1 milhões de doses.

De acordo com os relatórios, o imunizante apresentou eficácia global de 66,9% em adultos com idade igual ou acima de 18 anos, mas a agência alertou que ainda há incerteza sobre a eficácia da vacina contra novas variantes do coronavírus.

De acordo com a Anvisa, a vacina será aplicada em dose única de 0,5 ml em pessoas com 18 anos ou mais, apenas por injeção intramuscular.

"Os especialistas da Anvisa avaliaram que a vacina atende as expectativas desta agência quanto aos requesitos de qualidade, segurança e eficácia para a autorização dessa vacina no contexto do uso emergêncial", disse Meiruze Sousa Freitas, diretora da agência.

Terceira vacina autorizada para uso emergencial

A vacina Janssen é o terceiro imunizante que tem o uso emergencial aprovado no Brasil, ao lado da CoronaVac, vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan e a AstraZeneca, da Universidade de Oxford. Elas estão sendo adquiridas e distribuídas pelo Ministério da Saúde aos estados para vacinação da população dentro do PNI.

A fabricação nacional do imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford e pela farmacêutica AstraZeneca, a partir da matéria-prima importada, foi autorizada de forma definitiva pela Anvisa no último dia 12. O imunizante será produzido e distribuído no Brasil pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A Anvisa também aprovou definitivamente a vacina da Pfizer/BioNTech, que é a primeira para o coronavírus a ter seu registro definitivo liberado, mas que ainda não chegou ao país. A farmacêutica Pfizer deve entregar até 13,5 milhões de doses da vacina contra o novo coronavírus até junho. A expectativa é que os primeiros lotes cheguem entre abril e maio.

"Março sombrio" teve 66.868 mortes por Covid-19 no Brasil; 20% de todos os óbitos registrados na pandemia

Um em cada cinco óbitos por Covid-19 no Brasil ocorreu no mês que terminou nesta quarta-feira (31), o mais trágico da pandemia no país. Segundo o consórcio de veículos de imprensa formado por Extra, O Globo, G1, Folha de S. Paulo, UOL e O Estado de S. Paulo, que reúne dados passados pelas secretarias estaduais de Saúde, em março de 2021 foram notificadas 66.868 mortes pela doença, o equivalente a 20,77% do total de 321.886 vidas perdidas desde março de 2020.

Ainda segundo o boletim desta quarta-feira do consórcio, foram notificadas 3.950 mortes em 24 horas, um novo recorde diário. O total de casos no Brasil chegou a 12.753.258, com o registro de mais 89.200 diagnósticos. A média móvel diária de mortes no país também bateu recorde e ficou em 2.971, o que representa um aumento de 42% em relação ao resultado de duas semanas antes. Os maiores aumentos percentuais no número de mortes ocorreram no Rio de Janeiro (121%), no Distrito Federal (111%) e no Espírito Santo (106%).

O vírus avança sem sinais de que deve perder força nos próximos dias, sinalizando uma piora que pode se estender por ao menos mais duas semanas. O ciclo da Covid-19 teve dinâmica diferente em cada região no Brasil, mas março foi o primeiro mês que representou um recorde para todas as regiões do país. Especialistas ouvidos pelo Extra afirmam que, no primeiro pico, não imaginavam o quanto a pandemia poderia se agravar.

— Um número como esse não passava pela minha cabeça em julho, de maneira alguma — afirma a sanitarista Ligia Bahia, da UFRJ. — Ali eu só conseguia pensar que já estávamos na situação da maior tragédia sanitária do país, e realmente estávamos.

Policial teve surto, atirou em praça pública e foi morto em Salvador

Na noite de domingo (28), um policial militar foi baleado no Farol da Barra, um dos principais pontos turísticos de Salvador. O episódio começou horas antes, durante a tarde, e terminou no final da noite, quando o PM morreu no Hospital Geral do Estado.

14h: PM chega ao Farol da Barra

O Policial Militar Wesley Soares Góes chegou armado ao Farol da Barra. Ele tinha um fuzil e uma pistola e começou a disparar para o alto. Rapidamente, o homem foi cercado por unidades policiais do CPR Atlântico e especializadas. O local foi isolado.

Em nota, o governo da Bahia afirmou que o policial estava em situação de "surto psicológico". De acordo com a família, Wesley nunca havia tido surtos antes. Durante a ação, ele estava com o rosto pintado de verde e amarelo.

15h: Início da negociação

Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública, uma equipe do Bope começou a negociar com o PM. Os relatos dão conta de que o homem alternava entre momentos de lucidez e acessos de raiva. Nos picos do surto, ele voltava a disparar.

Além dos tiros, Wesley jogou isopores, bicicletas e grades no bar.

18h35: Troca de tiros

Após 3h30 de negociações entre Wesley e o Bope, o PM teria dito que havia “chegado o momento”, e começou uma contagem regressiva. Ao final, disparou contra as equipes policiais que estavam no local.

Wesley recebeu 10 tiros e foi levado para o Hospital Geral do Estado. No local, ele ficou intubado.

Ataques contra a imprensa

Logo após o PM ser baleado, jornalistas tentaram se aproximar do local e foram atingidos com balas de borracha. Forças policiais queriam afastar os profissionais de imprensa. O Sindicato de Jornalistas da Bahia condenou “veementemente o comportamento dos policiais envolvidos” no episódio.

A instituição avalia que não havia “qualquer necessidade de agir daquela maneira pois os jornalistas estavam trabalhando e não representavam qualquer ameaça aos PMs ou à operação.

23h: Confirmação da morte

No fim da noite, o major Hosannah Santos Rocha, da 72ª CIPM, informou que o PM chegou a ficar intubado, mas não resistiu.

Wesley trabalhava na 72ª CIPM há pelo menos quatro anos e era noivo. Em nota, a Polícia Militar lamentou o ocorrido e disse que “todos os esforços foram feitos por um final pacífico durante um possível surto de um PM”.

“O Batalhão de Operações Policiais Especiais adotou protocolos de segurança e o policial militar ferido foi socorrido imediatamente pelo SAMU. A corporação tomou conhecimento ainda de um vídeo do momento em que a imprensa acompanha o fato e é interpelada por um policial militar. A instituição ressalta o respeito à liberdade de expressão e ao trabalho dos jornalistas. O fato será devidamente apurado.”