Notícias falsas proliferam na eleição presidencial do Equador

David SALAZAR desde Bogotá
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O candidato presidencial equatoriano Andrés Arauz em ato de campanha em Quito

Um deles é acusado de falsos diplomas universitários e de aceitar dinheiro do tráfico de drogas. O outro, de pular sua vez na vacinação contra a covid-19. As acusações enganosas foram uma arma na corrida para a eleição presidencial deste domingo (11) no Equador.

No entanto, a campanha de difamação nas redes desde antes do primeiro turno de 7 de fevereiro tem pouco potencial de gerar um dano eleitoral profundo, segundo analistas consultados pelo serviço de checagem de fatos da AFP.

O economista Andrés Arauz, pupilo do ex-presidente socialista Rafael Correa (2007-2017), e o ex-banqueiro conservador Guillermo Lasso se acusaram mutuamente de promover a desinformação nas eleições que definirão o sucessor do impopular Lenín Moreno.

Em meio à polarização eleitoral entre esquerda e direita, entre o correísmo e o anti-correísmo, as contas falsas e as desinformações se espalharam retomando os debates nas redes sociais.

- Solo fértil -

A desinformação tem um solo fértil no Equador, com 17,4 milhões de habitantes, onde 40% dos maiores de 12 anos usa pelo menos uma rede social em smartphones. Isso representa um aumento de 8,1 pontos percentuais em relação às eleições de 2017, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (INEC).

Os simpatizantes de um candidato buscam "desqualificar o adversário transformando-o no inimigo" e tentando fazer com que "se apresente como desqualificado para o exercício do poder", explicou o cientista político Gabriel Hidalgo, da Universidade de Las Américas (UDLA).

Para Hidalgo, a velha estratégia de propaganda negativa migrou para as redes sociais.

"Essas eleições tiveram uma grande presença digital", comentou Verónica Altamirano, docente da Universidade Técnica Particular de Loja (UTPL).

Com a polarização, "houve uma grande quantidade de notícias falsas que desvirtuaram tanto as propostas quanto a vida das candidatos", acrescentou.

Publicações no Facebook e Twitter provocaram embates entre ambos. Arauz, de 36 anos e vencedor do primeiro turno com 32,72%, culpou Lasso de "inventar e viralizar" mentiras. Já o conservador, de 65 anos e segundo com 19,74% de apoio, alega campanhas sujas contra ele.

Junto aos ataques, somam-se perfis falsos ou "bots", que seguem "as contas (dos candidatos) com o objetivo de insultar, desmentir, gerar controvérsias", explicou Altamirano.

São identificáveis pelas suas imagens de perfil, com fotos dos candidatos, por ter poucos seguidores e pela sua interação recente, informou.

Uma análise do Twitteraudit, uma ferramenta virtual que distingue contas reais das fraudulentas no Twitter, calcula que Arauz tem mais de 2.200 seguidores falsos (3%) e Lasso cerca de 1.600 (31%).

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