Nota da embaixada dos EUA é um recado duro para ambições golpistas de Bolsonaro

Brazilian President Jair Bolsonaro (R) speaks as an expert translates to sign language during a visit at the Santa Casa de Misericordia de Juiz de Fora hospital, where he underwent surgery after he was stabbed during his 2018 presidential campaign, in Juiz de Fora, Brazil, on July 15, 2022. (Photo by DOUGLAS MAGNO / AFP) (Photo by DOUGLAS MAGNO/AFP via Getty Images)
Jair Bolsonaro (R) discursa em evento na Santa Casa de Misericórdia em Juiz de Fora (MG). Foto: Douglas Magno/AFP (via Getty Images)

Entre os embaixadores convidados para ouvir Jair Bolsonaro colocar em risco e sob suspeita as eleições deste ano, não se sabe quantos consideraram razoáveis os argumentos usados pelo presidente no power point de sua apresentação no Alvorada.

Um dos países representados, porém, já deu sinais de que não cai na conversa.

Um dia depois do encontro, a embaixada dos Estados Unidos no Brasil divulgou uma nota à imprensa dizendo que “as eleições brasileiras, conduzidas e testadas ao longo do tempo pelo sistema eleitoral e instituições democráticas, servem como modelo para as nações do hemisfério e do mundo”.

O teor da nota é o exato oposto do que Bolsonaro tentou vender na reunião.

No pronunciamento, a embaixada declarou que “as eleições no Brasil são para os brasileiros decidirem” e que “os Estados Unidos confiam na força das instituições democráticas brasileiras”.

“O país tem um forte histórico de eleições livres e justas, com transparência e altos níveis de participação dos eleitores.”

A nota pontua ainda que “os brasileiros confiam em seu sistema eleitoral” e apostou que “o Brasil mostrará ao mundo, mais uma vez, a força duradoura de sua democracia”.

Em termos diplomáticos, meio pronunciamento basta para que o recado seja entendido.

E o recado da (ainda) maior potência global do Planeta é que os planos golpistas desenhados pelo atual presidente no encontro não encontrarão eco ou endosso em Brasília.

Foi o pronunciamento mais incisivo entre os participantes da reunião.

Mas não foi o único.

No Twitter, por exemplo, o embaixador da Suíça no Brasil, que estava com os pares no Alvorada, disse esperar que no ano do bicentenário da Independência seu desejo é que as próximas eleições sejam uma “celebração da democracia e das instituições”.

Em conversas reservadas, embaixadores disseram ao New York Times, sob a condição de anonimato, que ficaram “abalados” com o teor da conversa apresentado por Bolsonaro e se incomodaram com a sugestão de que militares devem tutelar o processo para garantir eleições seguras.

Em sua apresentação, Bolsonaro fez questão de frisar o papel do Brasil na produção de alimentos e a segurança alimentar do planeta como quem ameaça: “vocês não vão querer comprar briga por meio de um boicote, vão?”

São justamente os riscos de instabilidade econômica e geopolítica embutidos no ensaio de um golpe que preocupam os atores internacionais.

Sob Bolsonaro, o Brasil tem sido recorrentemente reprovado na tarefa de contribuir com a preservação do meio ambiente e o estresse climático e se tornou um pária internacional.

Até outro dia tinha em Washington um líder e uma inspiração. Não tem mais.

A nota da embaixada dos EUA serve como recado para os arquitetos do golpe. Eles podem até avançar as linhas da ameaça. Não sem correr todos os riscos, inclusive econômicos, do isolamento.

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