Nova bancada de mulheres na Câmara se equilibrará entre feministas e aliadas de Bolsonaro

Marcella Fernandes
"O papel das mulheres nesse próximo período não será apenas só defender a igualdade de gênero, mas também combater a repressão, o retrocesso e os riscos de ruptura democrática", disse Fernanda Melchionna (PSol-RS).

A polarização entre extremos que tem marcado a disputa pela Presidência da República também determinou o desenho da nova bancada feminina da Câmara dos Deputados, que alcançou um número recorde nestas eleições. Das 77 eleitas, que representarão 15% do total de deputados, 9 são do PSL, partido de Jair Bolsonaro (PSL). Do outro lado, partidos progressistas como PT, PCdoB e PSol somam 21 integrantes.

Outra característica que deve impactar a dinâmica do grupo é o fato de 40 das parlamentares eleitas - mais da metade - serem novatas na casa. Hoje, apesar das posições diferentes em temas como descriminalização do aborto, por exemplo, as deputadas do atual mandato são alinhadas em temas como representatividade na política e combate à violência contra a mulher.

De olho na nova formação, a presidente da bancada, deputada Soraya Santos (PR-RJ), reeleita, está enviando convites para as novatas passarem uma semana na Câmara em novembro e conversarem sobre pautas que podem avançar.

"A tendência é mostrar que o olhar feminino se faz necessário sobre todos os temas. Agride a gente saber o nível de mortalidade no parto, o número de adolescentes que saem da escola porque foram mães precoces, a questão da autonomia econômica, as mulheres rurais. Porque se não [ampliar a atuação] as mulheres começam a ficar estigmatizadas como se tivessem que vir aqui só pra defender o combate à violência doméstica", afirmou a parlamentar ao HuffPost Brasil.

Na avaliação de Santos, as divergências poderão ser minimizadas no dia a dia do Legislativo. "A bancada amadureceu muito. Quem é mais feminista agora entende que para votar uma matéria talvez você tenha de trocar a palavra gênero por sexo. As evangélicas também adaptaram a linguagem", diz.

"Quando a deputada percebe que a pauta feminina tem uma plasticidade maior, ela entende isso. As bandeiras ideológicas são discutidas em plenário, não na bancada - se não, essa briga interna...

Continue a ler no HuffPost