Justiça determina que PMs suspeitos de execuções no Andaraí sejam presos de novo

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A Justiça determinou que os cinco PMs suspeitos de executarem dois homens no Andaraí, Zona Norte do Rio, na semana passada, sejam presos novamente. A decisão foi tomada na última quarta-feira pelo juiz Carlos Eduardo Carvalho de Figueiredo, da 19ª Vara Criminal da capital. Essa será a segunda vez que os PMs serão presos pelo crime: eles foram autuados em flagrante horas após a ocorrência, na sexta-feira, mas foram soltos menos de 24 horas depois por outra decisão judicial: a juíza Ariadne Villela Lopes, de plantão na Central de Custódia, em Benfica, acatou pedido do Ministério Público e relaxou a prisão dos PMs.

Na nova decisão, o magistrado afirma que "há fortes indícios do que se pode denominar de 'execução sumária'". Procurada, a PM ainda não respondeu se os agentes já foram presos.

Os agentes suspeitos do crime são os cabos Anderson Ricardo da Silva Giubini, Bernardo Costa de Azevedo, Thiago Lira da Rocha, Jonathan Silva da Visitação e o soldado Marlon Henrique Souza Antunes. Todos integravam o mesmo Grupamento Tático de Polícia Pacificadora (GTPP), unidade operacional da UPP do Andaraí.

Os PMs foram presos, no dia dos homicídios, ao prestarem depoimento na Delegacia de Homicídios (DH) e relatarem terem sido atacados por criminosos armados na trilha da Rua Borda do Mato, enquanto patrulhavam a região. Segundo os agentes, houve tiroteio e os dois homens morreram a caminho do Hospital Federal do Andaraí, para onde foram levados. Na ocorrência, outros três homens foram presos. Com os homens, os agentes afirmaram ter apreendido drogas, uma metralhadora calibre 9mm, uma pistola calibre .40, três radiotransmissores e um colete balístico.

No entanto, após a ocorrência ter sido apresentada, fotos dos homens algemados e ainda vivos começaram a circular pelas redes sociais. Numa das imagens, é possível ver um deles, Carlos Alberto Vidal, com as mãos para trás, entrelaçadas nas mãos de outros dois homens. Após prestarem depoimentos, os agentes foram presos.

Além de Vidal, também foi morto Anderson da Silva de Jesus. Os presos na ação são Fabrício do Nascimento Geraldino, David Rodrigues de Jesus de Souza e um adolescente. Em depoimento na DH, o adolescente afirmou que os homens dormiam numa cabana numa área de mata da favela quando foram surpreendidos pelos PMs. Segundo o relato, os agentes renderam todo o grupo "sem efetuar nenhum tiro". Em seguida, os homens teriam sido levados para um outro acampamento, mais para dentro na mata, onde seus dois comparsas teriam sido mortos. O adolescente afirmou ter ouvido cinco tiros depois que os dois separados dos demais e levados pelos PMs.

Por fim, os presos teriam sido obrigados a carregar os corpos dos mortos: "um dos policiais militares disse que se eles não carregassem os corpos, iam morrer também", afirmou o adolescente. De acordo com ele, um dos dois comparsas "aparentava estar morto".

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