Nova entrega de vacinas contra a Covid ao Brasil pelo consórcio Covax vai atrasar

NATÁLIA CANCIAN E ANA ESTELA DE SOUSA PINTO
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BRASÍLIA, DF, E BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) - O consórcio Covax Facility, iniciativa vinculada à OMS (Organização Mundial de Saúde), informou ao Ministério da Saúde que a entrega de novas doses de vacinas ao Brasil deve sofrer atrasos. O problema deve afetar cerca de 1,9 milhão dos 2,9 milhões de doses da vacina Covishield, da AstraZeneca, cuja entrega estava prevista para este mês --1 milhão de doses chegou ao Brasil no último domingo (21). O Ministério da Saúde confirmou ter sido comunicado pela direção da Covax "sobre um possível atraso nas entregas de vacinas oriundas do consórcio". De acordo com a aliança global da vacinação Gavi, que integra o consórcio Covax, "parte das doses da vacina de Oxford/AstraZeneca fabricadas na Coreia do Sul previstas para março agora estão programadas para ocorrer em abril". Em nota, o Ministério da Saúde brasileiro diz ter sido informado de que as remessas atrasadas devem ser entregues "até maio". Jarbas Barbosa, vice-diretor da Opas (Organização Pan-americana de Saúde), que participa da distribuição das vacinas da Covax para mais de cem países, também confirma a previsão de atraso do 1,9 milhão de doses que eram esperadas para este mês. "Ainda estamos trabalhando com o produtor para estabelecer as novas datas", afirma ele, segundo quem a situação afeta diferentes países que recebem doses da AstraZeneca. Os imunizantes são produzidos em oito locais diferentes, mas os enviados para o Brasil por meio da Covax vêm da empresa sul-coreana SK Bio. Outros integrantes da Covax recebem imunizantes produzidos no Serum Institute, da Índia, onde as restrições são maiores, segundo Barbosa, devido à previsão de suspensão das exportações pelo governo indiano em março e abril. "Felizmente, a grande maioria dos países da América Latina e Caribe recebem da SK Bio, que tem problemas técnicos que já estão sendo resolvidos", afirmou. De acordo com o Gavi, "nesta fase inicial da implantação da vacina Covid-19, os fabricantes de vacinas precisam de tempo para dimensionar e otimizar seus processos de produção". A aliança afirmou no comunicado que a AstraZeneca "está trabalhando" para permitir o envio de vacinas "nas próximas semanas". Ao jornal britânico Guardian, o Unicef afirmou que a AstraZeneca deve compensar os volumes atrasados "durante o período de abril a maio". A reportagem pediu uma previsão de prazo para normalização das entregas também ao fabricante sul-coreano, mas não recebeu resposta até esta publicação. O Gavi afirma em seu site que "mantém seu objetivo de fornecer doses iniciais de vacinas a todas as economias participantes no primeiro semestre do ano, antes de aumentar significativamente no segundo semestre de 2021". Ao todo, o acordo do Brasil com a Covax envolve a entrega de 42,5 milhões de doses até o fim deste ano. Além dos 2,9 milhões neste trimestre --do qual só 1 milhão foi entregue--, estava prevista mais uma remessa de 6,1 milhões até maio e 33 milhões até dezembro.