Nova fase da Lava Jato apura suposta fraude em venda de combustíveis na Petrobras

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Fachada do prédio da Petrobras no Rio de Janeiro
Fachada do prédio da Petrobras no Rio de Janeiro

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Polícia Federal cumpre nesta terça-feira sete mandados de busca e apreensão contra funcionários e ex-funcionários da Petrobras que estariam envolvidos em supostas fraudes na comercialização de combustíveis, informaram a PF e o Ministério Público Federal (MPF).

Cinco mandados estão sendo cumpridos na cidade do Rio de Janeiro e dois em Niterói.

A operação, batizada de Sem Limites IV, visa aprofundar as investigações sobre alegadas práticas criminosas cometidas na antiga Diretoria de Abastecimento da Petrobras, especificamente na Gerência Executiva de Marketing e Comercialização.

Segundo as investigações, haveria nessa área da Petrobras uma organização criminosa responsável pela prática de crimes envolvendo a negociação de óleos combustíveis e derivados entre a estatal e trading companies estrangeiras.

"Os alvos são funcionários e ex-funcionários da Petrobras lotados no Brasil e no exterior que, de 2005 a 2015, teriam recebido cerca de 12 milhões de reais para beneficiar empresa estrangeira em 61 operações de comércio internacional de diesel e querosene de aviação realizadas pelos escritórios da Petrobras em Londres, Cingapura e Houston, as quais envolveram a compra e venda de mais de 3,3 bilhões de litros de combustíveis", disse o MPF em nota.

Dois acordos de colaboração premiada firmados por um ex-funcionário da estatal e um empresário foram o ponto de partida das investigações.

"Com base nos relatos, em evidências apresentadas e análise de provas já existentes, identificou-se que ao menos seis agentes públicos, até então desconhecidos das investigações, tiveram participação direta no esquema ilícito perpetrado nas operações de trading da Petrobras", disse a PF em nota.

"Um dos funcionários, que até hoje se encontra empregado e em exercício na estatal, trabalhava diretamente na área logística da Diretoria de Abastecimento e era responsável, por vezes, em gerar artificialmente demandas que justificassem novas operações comerciais de compra e venda pela Petrobras junto às tradings companies estrangeiras", acrescenta a nota.

Os investigados responderão pela prática, dentre outros, dos crimes de corrupção passiva, organização criminosa e de lavagem de dinheiro.

Procurada, a Petrobras afirmou em nota que é vítima dos crimes revelados pela Lava Jato e que teve esta condição reconhecida pelo Ministério Público Federal e pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

"A companhia colabora com as investigações desde 2014, em relação à operação de hoje, colaborou ativamente na produção de provas que auxiliaram os trabalhos de investigação. A Petrobras atua como coautora do Ministério Público Federal e da União em 21 ações de improbidade administrativa em andamento, além de ser assistente de acusação em 71 ações penais relacionadas a atos ilícitos investigados pela Operação Lava Jato", acrescentou a estatal.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)