Nova geração assume a defesa dos direitos civis nos Estados Unidos

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Várias bandeiras tremulam acima da Black Lives Matter Plaza, perto da Igreja Episcopal de St. John, em 12 de janeiro de 2021, em Washington, DC

Sessenta anos depois de os cidadãos negros começarem a marchar pelos direitos civis nos Estados Unidos, uma nova geração de ativistas e políticos assumiu o lugar na luta que no passado foi liderada por Martin Luther King.

Confira a seguir, algumas das vozes proeminentes na reivindicação atual pelos direitos civis no país.

- Black Lives Matter -

O movimento Black Lives Matter (BLM, Vidas Negras Importam em português) foi fundado em 2013, depois que o policial George Zimmerman foi absolvido da morte a tiros na Flórida de Trayvon Martin, um adolescente negro que estava desarmado.

Este movimento inicialmente pouco organizado ganhou musculatura um ano depois da morte de outro jovem afro-americano, Michael Brown, assassinado a tiros por um policial em Ferguson, Missouri.

Desde então, o BLM estabeleceu representações em diferentes partes dos Estados Unidos e chegou a simbolizar as vítimas da violência policial da comunidade negra.

- Kamala Harris e Stacey Abrams -

Harris, de 56 abos, filha de mãe indiana e pai jamaicano, é a vice-presidente mulher, negra e de origem indiana dos Estados Unidos.

Referindo-se à condenação do ex-policial de Minneapolis Derek Chauvin pelo assassinato de George Floyd, Harris destacou que seus pais participaram das marchas pelos direitos civis dos anos 1960.

A vice-presidente acolheu com satisfação o veredicto, mas ressaltou: "Ainda temos muito trabalho a fazer" no que diz respeito à injustiça racial e à reforma da justiça penal.

"Os Estados Unidos têm uma longa história de racismo sistêmico", disse.

Abrams, de 47 anos, ex-membro democrata da Câmara de Representantes pelo estado da Geórgia, se tornou uma defensora de destaque do direito ao voto dos afro-americanos.

Seus esforços ajudaram Joe Biden a se tornar o primeiro democrata a ganhar o voto presidencial na Geórgia desde Bill Clinton em 1992 e também levaram dois democratas à vitória nas eleições ao Senado em janeiro passado.

- Ben Crump e a família Floyd -

Crump, advogado de direitos civis e lesões penais de 51 anos, representou as famílias de vários afro-americanos mortos em incidentes com a polícia nos últimos anos, incluindo a família de George Floyd.

Ao apresentar Crump a seus partidários na terça-feira, após a condenação de Chauvin, o veterano ativista dos direitos civis Al Sharpton o descreveu como o "Procurador-geral para os Estados Unidos Negro".

Philonise, irmão mais novo de Floyd, assim como outros membros da família, também se tornaram ativistas de destaque pela justiça racial e a reforma da instituição policial.

"Temos que continuar lutando", disse Philonise depois do veredicto de terça-feira contra Chauvin. "Não estou mais lutando por George. Estou lutando por todos neste mundo", afirmou.

- Colin Kaepernick e LeBron James -

Kaepernick, de 33 anos, ex-quarterback do time de futebol americano San Francisco 49ers, acendeu um debate nacional quando se ajoelhou durante a execução do hino nacional no início dos jogos das Ligas Nacionais em 2016, em protesto contra a violência policial dirigida à população negra.

O gesto de Kaepernick foi progressivamente adotado por atletas americanos de outros esportes e também de vários países do mundo para protestar contra o racismo.

No caso de LeBron James, de 36 anos, que utilizou o status dos quatro títulos de campeão da NBA e um dos melhores jogadores de basquete, para falar de questões raciais e sociais, e fazer campanha a favor de candidatos democratas.

Após a condenação de Chauvin pelo assassinato de Floyd, o atacante do Los Angeles Lakers publicou em sua conta no Twitter uma única palavra em letras maiúsculas: "RESPONSABILIDADE".

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