Nova manifestação reúne milhares de pessoas em Hong Kong

Por Yan ZHAO y Catherine LAI
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Manifestante com um arco-flecha numa barricada na Universidade Politécnica de Hong Kong, em el 15 de novembro de 2019

Milhares de manifestantes pró-democracia voltaram às ruas nesta sexta-feira em Hong Kong desafiando as advertências do presidente da China, Xi Jinping, e paralisaram a ex-colônia britânica pelo quinto dia consecutivo.

Manifestantes com máscaras ocuparam universidades, enquanto o transporte continuava paralisado e as ruas bloqueadas com pedras e barricadas.

A polícia anunciou a prisão de dois estudantes alemães por participação em "uma concentração ilegal". Berli disse que estava prestando assistência consular.

Várias universidades holandesas aconselharam seus alunos no enclave a abandoná-lo "rapidamente" e retornar ao seu país.

Os protestos dos últimos cinco dias paralisaram as principais universidades do território. Várias aconselharam, inclusive, seus estudantes a deixar rapidamente o local e voltar ao seu países.

Desde junho, Hong Kong vive um movimento de protestos sem precedentes contra a ingerência de Pequim neste território semiautônomo de 7,5 milhões de habitantes.

Os organizadores do Clockenflap, principal festival de música de Hong Kong, decidiram na sexta-feira cancelar a edição de 2019, programada para 22, 23 e 24 de novembro "por causa da escalada da crise nesta semana e da incerteza criada para a próxima semanas".

Os protestos em Hong Kong acontecem principalmente à noite e no fim de semana, o que até agora permitia que este centro financeiro internacional funcionasse de forma relativamente normal durante a semana, apesar dos efeitos negativos na sua economia.

Diante da recusa da China em fazer concessões, os manifestantes mudaram de tática na segunda-feira e lançaram uma campanha para "aparecer em todos os lugares" e simultaneamente bloquear vários pontos do território para sobrecarregar a polícia.

Essas ações causaram caos em Hong Kong, acompanhadas de violência de ambos os lados, com duas mortes em uma semana devido aos protestos.

Os protestas dos últimos cinco dias paralisaram as principais universidades do território.

Na noite de quinta-feira, a secretária de Justiça de Hong Kong, Teresa Cheng, que estava em Londres, caiu quando um grupo de manifestantes realizava um protesto na rua diante da representante do governo.

O chefe do executivo de Hong Kong chamou o incidente de "ataque bárbaro", enquanto um porta-voz da diplomacia chinesa acusou o Reino Unido de "colocar lenha no fogo".

Em Londres, a polícia britânica anunciou uma investigação sobre um ataque que causou um "ferimento no braço" de uma mulher, mas sem especificar se foi Cheng, que cancelou uma conferência marcada para esta sexta no Chartered Institute of Arbitrators.

Nesta sexta, os manifestantes organizaram um evento chamado "Lunch With You" ("Almoço contigo"), no qual milhares de funcionários de escritórios saíram às ruas cantando "Stand with Hong Kong" e mostrando a mão aberta.

Este sinal é uma referência às cinco demandas do movimento pró-democracia, que inclui o direito de escolher livremente os líderes de Hong Kong, bem como uma investigação independente sobre as ações da polícia.

- Abuso de poder -

"O governo nem respondeu quando dois milhões de habitantes se manifestaram pacificamente", disse Wong, de 25 anos, que trabalha num escritório, referindo-se às primeiras manifestações do movimento.

"A polícia está abusando de seu poder, o governo ... acredita apenas que os manifestantes são o problema", disse.

Os protestos começaram com a decisão do governo de Hong Kong de introduzir um projeto de lei, já retirado, que permitiria extradições para a China continental.

O presidente chinês, Xi Jinping, apoiou na quinta-feira a polícia e alertou que os protestos poderiam acabar com o princípio "um país, dois sistemas", segundo o qual Hong Kong tem liberdades que não são concedidas na China continental.