Nova onda de protestos contra Piñera deixa 283 presos no Chile

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A violência voltou às ruas do Chile, paralisou novamente parte do sistema de transporte público de Santiago e levou à prisão de pelo menos 283 pessoas na noite de segunda (2) e na madrugada desta terça (3).

Manifestantes saquearam lojas, destruíram estações de metrô, montaram barricadas que impediram a circulação de ônibus e atacaram postos policiais. Houve confronto com as forças de segurança.

Segundo o ministro do Interior, Gonzalo Blumel, 76 policiais ficaram feridos e um manifestante foi atropelado por um carro de polícia --não há informações sobre o estado de saúde dele. "Durante a noite, o que vimos foi crime, puro e simples", disse o ministro.

Convocados para protestar contra o presidente Sebastián Piñera no primeiro dia útil de março (depois do fim das férias de verão), milhares de manifestantes se reuniram na praça Itália, na capital, onde ocorreram enfrentamentos violentos com a polícia.

Conforme a noite avançava, os confrontos se deslocaram para várias áreas da periferia de Santiago. Também houve registro de violência nas cidades de Antofagasta, Temuco e Concepción.

O país enfrenta uma onda de protestos que foi mais violenta entre outubro e o meio de dezembro do ano passado.

As manifestações começaram contra um aumento no valor das passagens de metrô em Santiago, mas a pauta foi ampliada e passou a incluir a reforma do sistema de pensões, de educação e de saúde.

Os confrontos levaram os militares às ruas pela primeira vez desde o fim da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) e deixaram pelo menos 31 mortos, milhares de feridos e dezenas de milhares de presos, segundo o governo.

Como resposta às manifestações, Piñera anunciou um pacote de medidas, em meio ao auge dos atos em novembro, para endurecer as punições a manifestantes que cometerem atos de vandalismo.

O presidente disse que disse que combateria os "criminosos" intensificando a coleta de informações de inteligência e aumentando o número de drones utilizados na vigilância aérea de Santiago.

Na mesma época, promotores chilenos investigavam mais de 800 denúncias de abuso, incluindo tortura, estupro e espancamentos supostamente feitos pelas forças de segurança durante os atos.

Na sequência, Piñera reconheceu que os protocolos de uso da força foram descumpridos. A Anistia Internacional chegou a denunciar uma "política deliberada" para castigar manifestantes.

Outras respostas do governo foram acerca da Constituição e do sistema de aposentadorias e pensões. Por meio de um decreto supremo, Piñera convocou plebiscito constitucional para 26 de abril. Considerada histórica, a votação decidirá se a Constituição herdada da ditadura será alterada.

Já para a Previdência, a intenção é cobrar uma contribuição das empresas para viabilizar o aumento do valor das aposentadorias e pensões.

No atual regime de capitalização individual, cada trabalhador contribui para sua própria aposentadoria com 10% do valor de seu salário.